Pensamentos Incomodantes

“Na realidade, a vida não nos pergunta nada, limita-se a acontecer. E, na maioria das vezes, nem sequer nos damos conta da simplicidade em todo este processo que é viver.

Quando o que está a acontecer é o esperado por nós, achamos que tudo é simples e maravilhoso. Conseguimos fazer tudo aquilo a que nos propomos, e a vida é maravilhosa, bela, somos bons e fantásticos. Mas como reagimos quando não acontece o que estávamos à espera?”

Retirado de “Pensamentos Incomodantes”

Excessos mentais

Já contou as suas calorias mentais hoje?

 

Por vezes, preocupamo-nos muito, pensando nas coisas que podem vir a acontecer no futuro, ou que podem estar a acontecer com quem não está ao pé de nós ou com qualquer outra coisa.

Estamos obesos mentalmente e nem nos damos conta disso.

Preocupamo-nos com os excessos de comida nas datas festivas, mas não prestamos grande atenção aos excessos mentais que surgem por tudo e por nada.

E os excessos não surgem dos pensamentos, já que não os controlamos.

Surgem da necessidade de nos apegarmos a eles, nas preocupações constantes, como se, o facto de me preocupar resolvesse a situação.

E vamos engordando mentalmente com todo este apego e toda esta atividade cerebral, com todos estes excessos de “alimentos para a mente”.

Como seria uma desintoxicação de todas estas calorias mentais?

De que forma poderia fazer uma dieta?

Talvez prestando atenção a todos os pensamentos que surgem. Apenas dando atenção ao que surge.

A desintoxicação teria início no momento em começasse a questionar se toda a preocupação estava a ajudar em alguma coisa.

Depois, poderia perguntar a cada preocupação se estava a acontecer no momento.

Desta forma, daria início a um processo de simplificação do momento presente.

“Preocupar ajuda ao que está a acontecer?”

“O que posso fazer para ajudar?”

“Está a acontecer no momento a situação que está na mente?”

Dia-a-dia, a desintoxicação criaria um lugar mental com menos excessos e mais serenidade.

Temos excessos mentais de vez em quando, mas posso alimentá-los continuamente ou posso desintoxicar de vez em quando.

Posso escolher entre uma mente mais vazia ou uma mente obesa.

Posso continuar a lamentar ou fazer algo para alterar o excesso mental.

 

Já contou as suas calorias mentais hoje?

 

 

 

 

Pensamentos Incomodantes

(…) Esta rapariga começou a notar que as pessoas à sua volta também mudaram, pois somos todos espelhos daquilo em que acreditamos. Ela passou a respeitar-se mais enquanto pessoa, ao dizer não a diversas situações que não eram para ela, o que originou um maior respeito por parte das pessoas com quem trabalhava.

E o trabalho que se fez foi simples: apenas questionar os pensamentos que conduziam às suas atitudes e às dos outros.

Ao fazer o trabalho comigo e com outras pessoas, percebi que acreditamos em muitas ideias e pensamentos, sem que algum dia os tenhamos questionado. (…)

Retirado de “Pensamentos Incomodantes”

A luz e a sombra do tempo

O tempo pode dar-nos a leveza da flexibilidade ou a dureza da amargura.

 

O tempo traz serenidade sobre as situações passadas, mas também pode trazer ressentimento e mágoa.

A forma como observamos os pensamentos que vão surgindo e como reagimos, ajuda o tempo a deixar-nos serenos ou magoados relativamente a essas situações.

À medida que o tempo passa, instala-se uma maior flexibilidade, quando compreendemos que tudo é relativo e que, quando a Vida quer fluir numa determinada direção, nada se pode fazer para deter esse fluxo e que apenas conseguimos adiar o seu movimento.

Ou não…

Porque por vezes, o tempo instala a mágoa e o ressentimento, a dureza e a amargura.

E estas sensações derivam do facto de não saber como fazer para fluir na corrente, por achar que tudo tem de ser feito à minha maneira e que o que me rodeia está errado.

Porque acredito que tudo o que está lá fora não está certo e que caminhamos para o abismo.

O tempo pode dar-nos a leveza da flexibilidade ou a dureza da amargura.

Mas será mesmo o tempo que nos provoca estas marcas?

Ou serei eu que me posso ajustar, ao parar para observar o que se passa, tornando-me uma pessoa mais serena, à medida que a Vida flui e vai acontecendo à sua maneira?

Escolher a luz do tempo, poderá significar apenas não reagir automaticamente e ficar enquanto observador do meu redor.

Por vezes, sinto-me a correr

São as histórias que vão sendo contadas, e que vão perdendo peso, à medida que vão sendo questionadas.

 

Por vezes, dou por mim com a sensação que tenho de correr, com a respiração a acelerar e a tornar-se superficial.

O corpo fica tenso e, sem me dar conta, instala-se um estado de alerta e de ansiedade.

Parece que existe algo que tem de ser rapidamente resolvido, que existe uma resposta que tem de ser dada, pois se tal não acontecer, algo de mau vai acontecer.

É um estado muito familiar e que vem lá de trás.

Antigamente, costumava instalar-se e ficar presente durante muito tempo.

Hoje em dia, chega mais ou menos devagarinho, mas é notado mais facilmente.

Os pensamentos que dão origem a esta necessidade de correr para responder a algo continuam a aparecer com frequência, a diferença reside nas questões que são colocadas a seguir, e que permitem retirar a aparência de factos a acontecer e transformá-los em histórias da mente.

“De onde vem esta sensação?”

“Será verdade que a história que estou a contar na minha mente está a acontecer?”

E, muitas vezes, estas questões ajudam a regressar ao presente, à minha respiração, ao corpo e ao que está a acontecer no aqui e agora.

Existem momentos em que as questões demoram tempo a chegar e esqueço que a sensação de urgência deriva de algo que se passa apenas na mente.

Que são apenas reflexos de medos do passado, que vieram até mim neste momento, mas que não existem.

Por vezes, este medo é subtil na forma como se insinua e começa a contar histórias.

Depois, surge a sensação de preocupação.

“Sobre o quê é que eu estava a pensar neste momento, e que deu origem a esta sensação?”

“E o que isto significa para mim?”

E a tranquilidade volta, à medida que regresso ao aqui e agora.

São as idas e vindas dos ciclos de pensamentos.

São as histórias que vão sendo contadas, e que vão perdendo peso, à medida que vão sendo questionadas.

E não controlamos esses relatos que vão acontecendo.

Mas podemos retirar-lhe o peso, ao parar e questionar a sua autenticidade.

“Isto está a acontecer agora?”

“Será verdade?”

Pensamentos Incomodantes

(…) “De uma maneira simples, fazer este trabalho leva-me a ter outra perspetiva das situações.

Aos poucos, e à medida que vou sentindo os benefícios do que antigamente achava serem vivências difíceis, fico mais liberta, mais serena e mais em paz.

E, por vezes, surgem os pensamentos de que isto é apenas o início do trabalho e que muito ainda existe para fazer.

É para todo o sempre, que é como quem diz: é durante os próximos segundos que Puf! já foram.

E frequentemente o único pensamento que existe é seme-lhante àquela imagem do Homer Simpson, em que existe apenas um donut no cérebro. E é uma delícia ter apenas o pensamento de um donut para pensar.

É esta a minha imagem de ilha de serenidade. Hummmm, donut…”

Excerto do livro “Pensamentos Incomodantes”

O que desejas?

A resposta é dada a seu tempo, no silêncio, quando focamos a atenção nas sensações que surgem quando pensamos no que está a acontecer.

 

Por vezes parece que a Vida nos bate à porta a perguntar “tens a certeza que é isto que desejas?”

E isto pode ser aquele acontecimento que eu passo o tempo a dizer que nunca mais quero voltar a viver.

Parece que quanto mais digo que não é isto que desejo, mais a Vida bate à porta a perguntar se tenho a certeza disso, através de repetições de situações com a mesma dinâmica, e que causam os mesmo pensamentos e emoções.

Ou, ao contrário, quando parece que quero muito algo, mas parecem existir muitos obstáculos para lá chegar.

“Tens a certeza?” pergunta a Vida, através dos seus ciclos.

E focamos muitas vezes a atenção para o que acontece lá fora, para o que é dito e sugerido pelos outros, sem olhar para o que acontece cá dentro e para as sensações que surgem com estes pensamentos.

Será que paro para ouvir a vozinha que me faz sentir confortável ou desconfortável com o caminho que estou a seguir, independentemente dos obstáculos e do que é dito pelos outros?

Aquela mensagem que vem do interior, através do desconforto perante aquela situação ou aquela pessoa.

Ou, por outro lado, a sensação boa que vem de dentro e que nos faz sentir confortáveis e inspirados, mesmo quando caminho parece longo e cheio de obstáculos.

Parece que necessitamos frequentemente de pedir aos outros a ajuda para dar a resposta à questão que nos é feita, quando na realidade, a resposta vem da pausa e do silêncio.

A resposta é dada a seu tempo, no silêncio, quando focamos a atenção nas sensações que surgem quando pensamos no que está a acontecer.

E, quando as situações se repetem em ciclos e nos provocam as mesmas sensações, podemos parar para olhar de outra forma e ver a lição que parece estar presente.

“O que desejas: continuar em ciclos aparentemente intermináveis, ou parar para perceber o que podes aprender com isto?”

Não existem respostas corretas, mas apenas a entrada em mais um ciclo de pensamentos e emoções ou a paragem para observar.

E está tudo bem. Independentemente do que possas desejar.

O outro lado das coisas

A perda, a dor, a frustração, estavam ali para mostrar que existe algo em todo este processo de aprendizagem.

 

Uma das ferramentas que me tem ajudado ao longo dos últimos anos, consiste em olhar para o outro lado que está a acontecer.

Olhar para a situação como se estivesse a olhar de fora.

Ou, quando não consigo estar de fora, tentar encontrar as vantagens dessa situação.

Por vezes, pode parecer impossível encontrar uma vantagem quando estou a caminho do hospital por alguma questão de saúde ou alguma dor, mas existe um hospital para onde ir.

E eu poderia estar sem qualquer tipo de apoio ou de assistência.

E existem pessoas que tomam conta de mim.

E a questão ou a dor continuam a existir, tal como a assistência e o apoio. E posso relativizar o que acontece e olhar para as diversas coisas que acontecem naquela altura, ou posso dramatizar a achar que tudo de mal me acontece e sou um coitadinho ou coitadinha.

Na realidade, posso reagir conforme me fizer sentido, sem que haja a forma correta de o fazer.

Existe apenas o que acontece no momento e os pensamentos que surgem sobre isso.

Posso fazer um drama ou observar o que acontece.

Na minha experiência, sempre que fiz um drama, a Vida ia mostrando a seguir que o pior poderia estar para acontecer.

Não como uma forma de penalização, mas como uma aprendizagem que mostrava que tudo é relativo.

A perda, a dor, a frustração, estavam ali para mostrar que existe algo em todo este processo de aprendizagem.

Quando aprendi a olhar para o outro lado do que acontece, passei a ter menos dramas a acontecer cá dentro, e a ter mais espaço para respirar e sentir o momento.

E a sensação pode não ser agradável, mas é sentida com muito menos carga emocional e mais como uma experiência.

Será que perco quando algo se afasta e me prejudica?

Ou será um benefício?

E se tudo o que existe neste momento saísse para dar lugar a novas situações?

Como poderíamos renovar, mantendo tudo na mesma?

A Vida mostra-nos o seu permanente movimento.

E o outro lado das coisas, permite-nos dar lugar à observação do que acontece e espaço para o que acontece no momento seguinte, liberto de dramas.

Perdemo-nos no medo de perder

O medo de perder o que não é nosso aumenta, à medida que o tempo passa e os anos acontecem.

 

Perdemo-nos no medo de perder pessoas e situações. De perder o/a companheiro/a, o emprego, o/a amigo/a, a imagem.

E, no meio deste medo, partes de nós vão sendo camufladas, para que “nada de mal aconteça” ou por “uma boa intenção”.

“Não devo fazer isto ou dizer aquilo” povoam a nossa mente, camuflando e ocultando de nós próprios e do outro o que faz parte da nossa essência.

E, aos poucos, não sou eu que estou na frente do outro, não sou eu estou com o outro, mas apenas uma parte de mim.

Um eu incompleto, cheio de vergonha e de medo.

Curiosamente, temos medo de perder, quando na realidade, já perdemos o mais importante, o contacto com a essência e com o genuíno que há em nós.

E nem nos damos conta do que perdemos cá dentro, para alimentar o que existe lá fora.

O medo de perder o que não é nosso aumenta, à medida que o tempo passa e os anos acontecem.

Eventualmente, ocultamos tanto da nossa essência, que nos tornamos totalmente sombra de nós próprios.

Já não somos nós que estamos presentes no momento, mas apenas o medo, a culpa e a vergonha.

E lidamos também com o medo, a culpa e a vergonha do outro, em vez da sua essência.

Por vezes, o melhor que pode acontecer, é chegar ao que achamos ser o limite de não aguentar mais, e que nos leva a querer fazer algo para descobrir a essência e o que existe de genuíno em nós.

Pode ser um processo doloroso, mas eventualmente é um processo libertador de todas as camadas que não me permitem ficar em paz.

Uma ferramenta que permite descobrir e integrar todas as partes em mim, até ficar completo.

Talvez descubra que não posso perder nada que não é meu, que a Vida me emprestou e que não sei quando vai pedir de volta.

Mas é o que está presente para mim no momento, e posso ficar grato por isso.

E os medos poderão continuar presentes também. E eu, em vez de os ocultar, estarei enquanto observador dessas histórias, permitindo que entrem e saiam da mente, apenas como filmes que são. Nada mais.

Pensamentos Incomodantes

” A partir do momento em que olhamos para algum acontecimento por outro prisma, relativizamos o acontecido, e os pensamentos obsessivos deixam de estar tão presentes no dia-a-dia, levando-nos a uma maior paz e afastamento natural de conflitos.

Se tivesse de definir numa frase até onde me levou esta experiência, diria que deixei de ver apenas as árvores e passei a ver melhor a floresta.”

Retirado do livro “Pensamentos Incomodantes”