Arquivo mensal: Abril 2016

Somos colecionadores de pensamentos

coleção

Como seria descobrir que, ao abrir esses álbuns, encontraríamos a moeda que nos iria permitir sorrir sem motivo, respirar fundo apenas porque sim e estar presente no momento, sem mais estórias?

 

Colecionamos pensamentos, muitas vezes correspondentes a estórias que contamos sobre culpas, medos e vergonhas, que vamos juntando dentro de nós e que tentamos esconder dos que nos rodeiam.

São afinal as coleções mais preciosas, as que nos acompanham quase permanentemente, as que fazem parte de nós.

Mesmo sem nos darmos conta, lá estão as coleções de pensamentos na montra, cheias de pó, mas prontas a saltar para fora a qualquer momento.

Divididas por álbuns ou por montes, surge a coleção de “não sou suficientemente bom” ou “não sou merecedor”.

Também existem os grandes álbuns “ninguém gosta de mim” ou “eu sou um coitadinho”.

Coleções cheias de pensamentos, que queremos deixar na montra, com pó, sem lhes tocar mais.

E se essas coleções tivessem valor, como aqueles selos ou aquelas moedas esquecidas, mas com um valor incalculável?

Como seria descobrir que, ao abrir esses álbuns, encontraríamos a moeda que nos iria permitir sorrir sem motivo, respirar fundo apenas porque sim e estar presente no momento, sem mais estórias?

As coleções estão lá, a espreitar na montra, e podemos continuar a adicionar pensamentos que acumulam pó, ou podemos optar por abrir os álbuns e começar a olhar para as páginas e para o que dizem de nós.

Ocasionalmente, surge aquela moeda ou aquele selo que percebemos fazer parte de nós e nos permite dar aquele sorriso. Sem qualquer motivo. Apenas porque sim.

Esta coisa de ser mãe

mãe

Foi o momento em que fui um bocadinho mais fundo, com curiosidade, para tentar perceber o que é que estava ali e gerava o meu comportamento e esta necessidade de não incomodar.

 

Não sei como é ser uma mãe coala. Mas confesso que também não sei muito bem o que é isto de ser uma mãe humana.

A necessidade que existe de ter de saber o que fazer em cada situação, continua a deixar-me com muitas dúvidas: Será que estou a ter a atitude certa? Será que deveria estar mais atenta?

O trabalho com esta ferramenta de educação emocional, permitiu-me estar mais consciente de comportamentos. Mas continuo a passar de vez em quando do estado de relativa serenidade ao estado de gritos intensos em breves segundos.

Ocasionalmente, existe mais atenção aos comportamentos, como quando vou levar o filho à escola e ele fica nervoso porque não estacionei o carro, em vez de parar para ele sair e ir embora.

Quando tento perceber o porquê da aflição, surge o pensamento “ele está a repetir o padrão da mãe”.

Vivi durante muito tempo com o receio de estar a ser inconveniente, de estar a incomodar os outros, sem sequer perguntar ao outro se estava bem naquela situação.

Percebi que o filho preferia que estacionasse o carro, para não correr o risco de ter algum pai ou alguma mãe atrás de nós, à espera que ele saísse, o que significaria que ele estava a incomodar.

No momento em que dei conta do que estava por trás desta atitude, que nada tinha a ver com o filho, surgiu a compreensão que o meu comportamento era a origem desta forma de agir. Aprendemos naturalmente com o que observamos e não com o que nos dizem para fazer.

Foi o momento em que fui um bocadinho mais fundo, com curiosidade, para tentar perceber o que é que estava ali e gerava o meu comportamento e esta necessidade de não incomodar.

Quando ficamos em paz com as origens das atitudes, deixamos de ser a origem de formas de agir para os que nos rodeiam e são um espelho de nós próprios.

E continuo a não saber muito bem o que é esta coisa de ser mãe, mas já não estou tão preocupada com isso. O facto de ficar mais consciente de mim, torna-me mais consciente do filho. Naturalmente.

A estória do copo

copo

Na verdade, se o copo está meio cheio ou meio vazio, deixa de ter qualquer importância para mim se existe alguma mancha no copo.

 

Esta coisa do copo meio cheio ou meio vazio está para mim mal contada.

Na verdade, se o copo está meio cheio ou meio vazio, deixa de ter qualquer importância para mim, caso exista alguma mancha no copo.

Ou tem um risco.

Ou qualquer coisa que desvie a atenção do conteúdo.

E os pensamentos passam a ficar preenchidos com a vontade de tirar a mancha ou de limpar aquele risco.

Nada mais importa.

Deixa de haver copo e conteúdo, para haver aquela mancha, aquele risco.

Percebi que fazia muito isto na vida. Não importava o que estava a acontecer naquele momento, se o que eu queria (correspondente à limpeza da mancha) não estava a acontecer.

O conteúdo até podia ser fantástico, mas era ultrapassado pela necessidade de deixar tudo na perfeição.

Depois disso, poderia saborear o conteúdo à vontade.

Mas e se a mancha não sair, ou se o risco for permanente?

Será que o conteúdo não é bom na mesma?

Os segredos escondidos no sótão

sótão

Eventualmente, estórias começam a ser contadas sobre o sótão não visitado. Contos fantásticos são associados àquele lugar e começam a permear também as restantes divisões.

 

Aprendemos desde muito cedo que existem emoções que são boas e emoções que são más. Desde muito cedo, somos ensinados que é mau sentir tristeza, que não posso ter raiva, que é bom sermos alegres.

Posteriormente, aplicamos esse ensinamento ao longo da vida, lutando contra emoções ditas negativas e querendo sentir sempre as emoções ditas positivas, guardando as outras no sótão.

À medida que o tempo passa, o sótão vai ficando cheio do que não queremos aceitar em nós, das emoções que pensamos erradas, acumulando caixas e caixotes de emoções não processadas.

Mostramos a casa aos outros, desde que o sótão permaneça inacessível, sem que alguém tenha acesso às caixas que queremos que se mantenham bem fechadas.

Mas o que é que acontece a uma casa onde uma das divisões não é visitada?

Eventualmente, estórias começam a ser contadas sobre o sótão não visitado. Contos fantásticos são associados àquele lugar e começam a permear também as restantes divisões.

Ao ponto de começarmos a ter caixas fechadas em todos os lugares, que escondemos debaixo da cama, por baixo do sofá, dentro do frigorífico.

Deixou de haver apenas um sótão com caixas escondidas, para começarem a existir caixas por todo lado, tornando-se visíveis para todos os frequentadores do lugar.

Podemos então vendar os olhos de todos os que entram em casa, ou podemos começar a abrir as caixas, uma por uma, e olhar para dentro.

Até chegar ao sótão.

E concluir que o conteúdo das caixas lá guardadas faz parte do todo. Está é mais uma divisão da casa e que pode ser visitada. Pode até conter recordações que, ao serem partilhadas com outros, poderão servir para que o outro abra uma das suas caixas, e verifique que não existem emoções para serem vistas e outras para serem colocadas em caixas no sótão.

Existem apenas emoções que ainda não foram pensadas e vistas de um outro ponto de vista.

Eventualmente, o sótão fica disponível e sem estórias para serem contadas.

Workshop Corpos Acumulados

Workshop Corpo

08 de maio| Espaço Nice Touch | Amora

Neste Workshop iremos questionar os pensamentos sobre o que acontece com o Corpo. Como são os pensamentos sobre doenças, sobre o envelhecimento, sobre a forma do Corpo.

Estou em paz com o Corpo que habito todos os dias? Faço comparações com os Outros, com o Corpo do passado?

Quando faço exames, terapias, dietas, faço porque me parece útil, ou faço porque estou a lutar contra algo que não gosto?

Como me sentiria se pensasse que o Corpo é perfeito, exatamente como está, um dia de cada vez?

Com base no trabalho da Escola Viva, de Emídio Carvalho, este Workshop será dinamizado pela facilitadora Ana Pifre.

 

Espaço Nice Touch

Rua Dr. Emidio Guilherme Mendes Garcia nr. 28a Amora
Espaco Nice touch

 

Valor: 35 euros
Inscrições:

aoencontrosilenciosointerior@gmail.com

Nice Duarte 963812495 info.nicetouch@gmail.com
Fernanda Tulsi 964769876 baiadalma@hotmail.com