Arquivo mensal: Maio 2016

O prazer da preguiça

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E houve uma primeira vez em que coloquei o descanso e a diversão à frente das coisas que achava que tinha de fazer naquele fim-de-semana. E descobri que me diverti e consegui ter tempo para fazer o que achava que tinha de fazer e sem me cansar.

 

Uma das minhas grandes maluqueiras mentais antes de começar a trabalhar com a ferramenta da Sombra Humana era de a de ter de fazer coisas: o trabalho, as coisas da casa, as metas que me impunha. E o resto? Logo se via.

Logo se via se tinha tempo para descansar, sair de casa, passear…tecnicamente, logo se via se tinha tempo para fazer nada.

Acumulei tarefas atrás de tarefas, até me sentir sufocada, cansada e muito frustrada com o que fazia.

Também não tinha tempo para o filho que estava nos primeiros tempos de vida, e a quem eu por vezes dizia que naquele momento não tinha tempo para estar com ele. Logo se via no final do dia. E quando chegava o final do dia, o cansaço era grande e já não tinha paciência para lhe dar atenção.

E quanto mais coisas achava que tinha de fazer, menos conseguia dar resposta e mais frustrada me sentia.

Até despertar e até começar a perguntar se tinha realmente de fazer aquelas coisas.

Não é que não existissem consequências se não as fizesse, mas parar de vez em quando e questionar passou a ser muito útil.

Será que a roupa tem de ser passada a ferro? Será que a casa tem de ser limpa? Será que tenho mesmo de dar resposta ao que me é pedido no trabalho? Será que tenho mesmo de cumprir aquele prazo?

E houve uma primeira vez em que coloquei o descanso e a diversão à frente das coisas que achava que tinha de fazer naquele fim-de-semana. E descobri que me diverti e consegui ter tempo para fazer o que achava que tinha de fazer e sem me cansar.

Surpresa! O planeta não deixou de girar à volta do Sol, apenas porque me dei o prazer da preguiça primeiro e fiz o que estava na agenda depois.

Na realidade, eu não assumia que também era preguiçosa, e passava o tempo a resolver os problemas dos outros, cansando-me e gastando energia, apenas para provar que era muito organizada e trabalhadora.

E o que é o pior que pode acontecer se eu aceitar o lado preguiçoso?

Descobri que tenho mais tempo para mim, para ouvir o que o corpo tem para dizer, para acordar de manhã e saltar para a cama do filho (que já não é assim tão pequeno mas adora fazer umas lutas de cócegas).

E o trabalho que faço começou a mudar. Lentamente, começo a deixar de ter trabalho em áreas com prazos exigentes, para dar lugar a tarefas criativas, que surgem do nada e que dão prazer.

E hoje, a manhã foi para um grande prazer de preguiça: acordar e voltar para o outro lado e continuar a dormir…quase até à hora de almoço.

E depois acordar e ter tempo para, lentamente, fazer um pequeno-almoço e organizar algumas coisas pelo prazer de as fazer.

E ter tempo para escrever alguma coisa…e depois logo se vê, que a tarde é para fazer nada.

 

Emocional ou materialista?

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E será que somos frios e superficiais quando nos nutrimos com coisas, ou continuamos emocionais, apenas nos alimentando de objetos em vez de emoções, apesar do mesmo objetivo?

Sempre fui considerada de muito emocional.

Sempre lidei com as emoções naturalmente, chorando com frequência, rindo, abraçando e, em oposição, considerava algumas pessoas de materialistas.

Pensava que tinha pessoas à volta que ligavam demasiado a coisas materiais, que eram frios e considerava-os de superficiais.

Acusei mentalmente uma ou outra pessoa deste superficialismo e tentei chamar a atenção para o facto da necessidade de estarem mais presentes para si e para as suas emoções.

Contudo, a vida chamou-me a atenção para esta questão em forma de trabalho de sombra. A minha sombra.

Alguém a quem apontei por diversas vezes o dedo por ser “demasiado materialista” e superficial, mostrou-me que esta era a forma que tinha aprendido a ser nutrido emocionalmente.

Percebi que usamos muitas vezes coisas para preencher os vazios existentes.

Sentimos que não somos merecedores do nosso amor-próprio e muito menos do amor do próximo, pelo que que se torna muito mais fácil comprar coisas, trabalhar para ter dinheiro e utilizar o tempo para nos nutrirmos materialmente.

Provavelmente, a família de origem não aprendeu a dar e a receber emoções e, por sua vez, ensinou que era mais simples preencher espaços emocionais com coisas exteriores: trabalho, compras, valores físicos.

E será que somos frios e superficiais quando nos nutrimos com coisas, ou continuamos emocionais, apenas nos alimentando de objetos em vez de emoções, apesar do mesmo objetivo?

E quando me alimento das emoções dos outros para preencher o meu vazio, não será que estou a tratar emoções como objetos, de maneira superficial, apenas como instrumento para preencher um espaço que eu próprio não consigo preencher?

Constatei que fui muitas vezes superficial quando necessitava das emoções dos outros para me sentir bem, em vez de escutar as minhas emoções que me faziam sentir desconforto.

Esta experiência fez-me olhar para a forma como lidamos com o lado material de outra forma, ao verificar que sou emocional e material e superficial, tal como todos os que me rodeiam.

E se já utilizei as emoções dos outros como objetos, para preencher uma necessidade emocional, quem sou eu para julgar quem o faz com coisas materiais?

Na realidade, buscamos o mesmo. Apenas utilizamos ferramentas diferentes.

 

O sucesso mental

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E é útil para nós trabalharmos este lado mental, é uma ferramenta eficaz e funcional, mas se for trabalhado apenas como uma das cores de uma paleta multicolorida, somos monocromáticos, tal como uma escada amarela, que poderia ter os degraus de todas as cores.

 

No outro dia alguém fez uma sessão de educação emocional e tinha como pano de fundo a questão de não ser um sucesso.

Uma pessoa tinha saído da sua vida, alegando a sua falta interesse por uma carreira e a sua falta de ambição, entre outras coisas.

Surgiram os pensamentos habituais: “Eu deveria ser uma pessoa mais ambiciosa!” ou “Eu sou um fracasso!”

Na minha cabeça, surgiram os pensamentos que originaram este texto: mas o que é o sucesso?

Como uma suposta boa mãe, ando por vezes atrás de filho para que estude mais, para trabalhar mais o que chamo de “potencial”, mas esta coisa do sucesso faz-me pensar mais a fundo.

Na realidade, ando atrás do filho para melhorar o desempenho mental, porque na verdade, ele é ótimo socialmente, é autónomo e, como bom português, um “desenrascado”.

Então porque me incomoda esta coisa de poder ter melhores notas do que tem?

Porque estou muitas vezes na caixinha do sucesso mental, na necessidade dele trabalhar uma ferramenta para cumprir resultados.

Depois de dar continuidade a este trabalho, desta vez comigo, dei por mim a valorizar o lado social dele e a olhar para ele de uma forma mais completa.

As escalas, metas, quadros de honra têm por base comparações. Sem comparações, como poderiam existir primeiros lugares? Ou últimos?

E crescemos formatados para sermos um sucesso mental, para produzirmos mais e melhor, muitas vezes sem ter em conta que posso fazer outra coisa qualquer e sentir-me muito melhor, muito mais em paz e estar muito mais disponível para mim e para os outros.

E é útil para nós trabalharmos este lado mental, é uma ferramenta eficaz e funcional, mas se for trabalhado apenas como uma das cores de uma paleta multicolorida, somos monocromáticos, tal como uma escada amarela, que poderia ter os degraus de todas as cores.

Resta saber que tipo de sucesso pretendo ser, o sucesso de ser esta Pessoa, com todas as suas características que me distinguem dos Outros, ou o sucesso monocromático na necessidade de fazer mais e melhor…de acordo com o que me é dito, sem ser questionado.

Workshop Os Desejos e a Sombra | Amora | 05 de junho

Workshop desejos e a sombra

Quais são os Desejos que achamos ainda não estarem realizados?

E quais os pensamentos que surgem quando desejamos muito algo e isto não acontece? Que pensamentos tenho sobre mim e sobre a Vida?

Será que valorizo o que está ao meu dispor naquele momento quando desejo algo que não tenho?

E como é que me trato a mim e aos outros até obter o que pretendo?

E se eu desejasse algo e deixasse que a Vida tratasse do que é para tratar, ficando eu em paz, com ou sem desejo realizado? Como seria o dia-a-dia?

Com base no trabalho da Escola Viva, de Emídio Carvalho, este Workshop será dinamizado pela facilitadora Ana Pifre.

Espaço Nice Touch

Rua Dr. Emidio Guilherme Mendes Garcia nr. 28a Amora
Espaco Nice touch

Valor: 35 euros

Inscrições:

aoencontrosilenciosointerior@gmail.com

baiadalma@hotmail.com

info.nicetouch@gmail.com

Ou pelo tlm: 964 769 876

Workshop Relações Familiares | Sesimbra | 04 de junho

Workshop relações familiares

Se pudesse fazer um livro de reclamações sobre a família, o que escreveria?

De que forma essas reclamações o poderiam ajudar a conhecer-se melhor e a ficar em paz com essas situações do passado, permitindo-se viver no presente com uma maior serenidade?

Este trabalho interior permite-nos questionar as estórias do passado que nos acompanham no dia-a-dia, de forma a deixarmos ir o que nos incomoda, trazendo paz e silêncio interior.

Com base no trabalho da Escola Viva, de Emídio Carvalho, este Workshop será dinamizado pela facilitadora Ana Pifre.

 

Espaço Sol – Sesimbra

Rua António Sardinha, 6, loja esq., Bloco D – Santana

Valor: 35 euros

Inscrições

– aoencontrosilenciointerior@gmail.com

– espacosol.sesimbra@gmail.com

Livros de Reclamações

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Mas existem ferramentas que nos ajudam a questionar os formulários que lá se encontram e, ao longo do processo, ficar em paz com registos do passado, criando espaço para sentirmos conforto numa primavera fria, tanto como sentimos numa primavera amena.

 

Reclamamos sobre tudo.

O tempo, o trabalho, os membros da família, os amigos que não fazem o que queremos, a escola, os políticos, o trânsito, tudo serve para “escrevermos” mais umas linhas nos nossos livros de reclamações mentais.

Passamos uma parte do dia a preencher mais um formulário de reclamação, sem darmos conta do volume de livros que já acumulámos e dos quais ainda não nos vimos livres.

Eventualmente, reclamar é útil em diversas situações, mas quando o fazemos de maneira indiscriminada, desde que acordamos até nos deixarmos dormir e voltar a este ciclo, em que é que isto nos ajuda?

E podemos não o fazer verbalmente, mas na nossa cabeça, as reclamações acumulam-se, sem que tenhamos pensado na origem da reclamação anterior.

Durante muito tempo, reclamei muito da Vida, em especial a partir dos 34-35 anos.

Reclamava porque nada acontecia como eu desejava, como eu havia planeado.

Acumulei livros de reclamações mentais atrás de livros de reclamações mentais, até me sentir sufocada e sem encontrar soluções para o que me rodeava.

Após ter iniciado este trabalho de Educação Emocional, descobri que fazer listas das reclamações mentais pode ser muito útil.

Listar no papel as reclamações que fazia mentalmente e olhar para elas de outra forma, questionando: “será útil reclamar sobre isto”, “onde é que eu também sou assim”, levou-me a uma maior serenidade e a aproveitar melhor o que acontece no momento.

Por exemplo, se reclamo que “a primavera deveria estar mais acolhedora”, posso eu pensar onde é que não sou acolhedor, onde sou frio, e o que posso fazer para alterar esse pensamento?

Não existem fórmulas mágicas para reduzir livros de reclamações acumulados durante anos.

Mas existem ferramentas que nos ajudam a questionar os formulários que lá se encontram e, ao longo do processo, ficar em paz com registos do passado, criando espaço para sentirmos conforto numa primavera fria, tanto como sentimos numa primavera amena.

No final de contas, temos o privilégio de assistir a mais uma estação no ano, e podemos estar conscientes disso mesmo.

Ou não.

Cabe-nos a nós considerar se é útil iniciar um processo de ver o que nos rodeia com mais silêncio interior.