Livros de Reclamações

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Mas existem ferramentas que nos ajudam a questionar os formulários que lá se encontram e, ao longo do processo, ficar em paz com registos do passado, criando espaço para sentirmos conforto numa primavera fria, tanto como sentimos numa primavera amena.

 

Reclamamos sobre tudo.

O tempo, o trabalho, os membros da família, os amigos que não fazem o que queremos, a escola, os políticos, o trânsito, tudo serve para “escrevermos” mais umas linhas nos nossos livros de reclamações mentais.

Passamos uma parte do dia a preencher mais um formulário de reclamação, sem darmos conta do volume de livros que já acumulámos e dos quais ainda não nos vimos livres.

Eventualmente, reclamar é útil em diversas situações, mas quando o fazemos de maneira indiscriminada, desde que acordamos até nos deixarmos dormir e voltar a este ciclo, em que é que isto nos ajuda?

E podemos não o fazer verbalmente, mas na nossa cabeça, as reclamações acumulam-se, sem que tenhamos pensado na origem da reclamação anterior.

Durante muito tempo, reclamei muito da Vida, em especial a partir dos 34-35 anos.

Reclamava porque nada acontecia como eu desejava, como eu havia planeado.

Acumulei livros de reclamações mentais atrás de livros de reclamações mentais, até me sentir sufocada e sem encontrar soluções para o que me rodeava.

Após ter iniciado este trabalho de Educação Emocional, descobri que fazer listas das reclamações mentais pode ser muito útil.

Listar no papel as reclamações que fazia mentalmente e olhar para elas de outra forma, questionando: “será útil reclamar sobre isto”, “onde é que eu também sou assim”, levou-me a uma maior serenidade e a aproveitar melhor o que acontece no momento.

Por exemplo, se reclamo que “a primavera deveria estar mais acolhedora”, posso eu pensar onde é que não sou acolhedor, onde sou frio, e o que posso fazer para alterar esse pensamento?

Não existem fórmulas mágicas para reduzir livros de reclamações acumulados durante anos.

Mas existem ferramentas que nos ajudam a questionar os formulários que lá se encontram e, ao longo do processo, ficar em paz com registos do passado, criando espaço para sentirmos conforto numa primavera fria, tanto como sentimos numa primavera amena.

No final de contas, temos o privilégio de assistir a mais uma estação no ano, e podemos estar conscientes disso mesmo.

Ou não.

Cabe-nos a nós considerar se é útil iniciar um processo de ver o que nos rodeia com mais silêncio interior.

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