Emocional ou materialista?

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E será que somos frios e superficiais quando nos nutrimos com coisas, ou continuamos emocionais, apenas nos alimentando de objetos em vez de emoções, apesar do mesmo objetivo?

Sempre fui considerada de muito emocional.

Sempre lidei com as emoções naturalmente, chorando com frequência, rindo, abraçando e, em oposição, considerava algumas pessoas de materialistas.

Pensava que tinha pessoas à volta que ligavam demasiado a coisas materiais, que eram frios e considerava-os de superficiais.

Acusei mentalmente uma ou outra pessoa deste superficialismo e tentei chamar a atenção para o facto da necessidade de estarem mais presentes para si e para as suas emoções.

Contudo, a vida chamou-me a atenção para esta questão em forma de trabalho de sombra. A minha sombra.

Alguém a quem apontei por diversas vezes o dedo por ser “demasiado materialista” e superficial, mostrou-me que esta era a forma que tinha aprendido a ser nutrido emocionalmente.

Percebi que usamos muitas vezes coisas para preencher os vazios existentes.

Sentimos que não somos merecedores do nosso amor-próprio e muito menos do amor do próximo, pelo que que se torna muito mais fácil comprar coisas, trabalhar para ter dinheiro e utilizar o tempo para nos nutrirmos materialmente.

Provavelmente, a família de origem não aprendeu a dar e a receber emoções e, por sua vez, ensinou que era mais simples preencher espaços emocionais com coisas exteriores: trabalho, compras, valores físicos.

E será que somos frios e superficiais quando nos nutrimos com coisas, ou continuamos emocionais, apenas nos alimentando de objetos em vez de emoções, apesar do mesmo objetivo?

E quando me alimento das emoções dos outros para preencher o meu vazio, não será que estou a tratar emoções como objetos, de maneira superficial, apenas como instrumento para preencher um espaço que eu próprio não consigo preencher?

Constatei que fui muitas vezes superficial quando necessitava das emoções dos outros para me sentir bem, em vez de escutar as minhas emoções que me faziam sentir desconforto.

Esta experiência fez-me olhar para a forma como lidamos com o lado material de outra forma, ao verificar que sou emocional e material e superficial, tal como todos os que me rodeiam.

E se já utilizei as emoções dos outros como objetos, para preencher uma necessidade emocional, quem sou eu para julgar quem o faz com coisas materiais?

Na realidade, buscamos o mesmo. Apenas utilizamos ferramentas diferentes.

 

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