O prazer da preguiça

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E houve uma primeira vez em que coloquei o descanso e a diversão à frente das coisas que achava que tinha de fazer naquele fim-de-semana. E descobri que me diverti e consegui ter tempo para fazer o que achava que tinha de fazer e sem me cansar.

 

Uma das minhas grandes maluqueiras mentais antes de começar a trabalhar com a ferramenta da Sombra Humana era de a de ter de fazer coisas: o trabalho, as coisas da casa, as metas que me impunha. E o resto? Logo se via.

Logo se via se tinha tempo para descansar, sair de casa, passear…tecnicamente, logo se via se tinha tempo para fazer nada.

Acumulei tarefas atrás de tarefas, até me sentir sufocada, cansada e muito frustrada com o que fazia.

Também não tinha tempo para o filho que estava nos primeiros tempos de vida, e a quem eu por vezes dizia que naquele momento não tinha tempo para estar com ele. Logo se via no final do dia. E quando chegava o final do dia, o cansaço era grande e já não tinha paciência para lhe dar atenção.

E quanto mais coisas achava que tinha de fazer, menos conseguia dar resposta e mais frustrada me sentia.

Até despertar e até começar a perguntar se tinha realmente de fazer aquelas coisas.

Não é que não existissem consequências se não as fizesse, mas parar de vez em quando e questionar passou a ser muito útil.

Será que a roupa tem de ser passada a ferro? Será que a casa tem de ser limpa? Será que tenho mesmo de dar resposta ao que me é pedido no trabalho? Será que tenho mesmo de cumprir aquele prazo?

E houve uma primeira vez em que coloquei o descanso e a diversão à frente das coisas que achava que tinha de fazer naquele fim-de-semana. E descobri que me diverti e consegui ter tempo para fazer o que achava que tinha de fazer e sem me cansar.

Surpresa! O planeta não deixou de girar à volta do Sol, apenas porque me dei o prazer da preguiça primeiro e fiz o que estava na agenda depois.

Na realidade, eu não assumia que também era preguiçosa, e passava o tempo a resolver os problemas dos outros, cansando-me e gastando energia, apenas para provar que era muito organizada e trabalhadora.

E o que é o pior que pode acontecer se eu aceitar o lado preguiçoso?

Descobri que tenho mais tempo para mim, para ouvir o que o corpo tem para dizer, para acordar de manhã e saltar para a cama do filho (que já não é assim tão pequeno mas adora fazer umas lutas de cócegas).

E o trabalho que faço começou a mudar. Lentamente, começo a deixar de ter trabalho em áreas com prazos exigentes, para dar lugar a tarefas criativas, que surgem do nada e que dão prazer.

E hoje, a manhã foi para um grande prazer de preguiça: acordar e voltar para o outro lado e continuar a dormir…quase até à hora de almoço.

E depois acordar e ter tempo para, lentamente, fazer um pequeno-almoço e organizar algumas coisas pelo prazer de as fazer.

E ter tempo para escrever alguma coisa…e depois logo se vê, que a tarde é para fazer nada.

 

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