Retirar o que não importa

E podemos passar o tempo a olhar para fora e a julgar o que está mal, ou podemos olhar para dentro com curiosidade e perguntar se a camada para onde estamos a olhar ainda nos faz sentido ou é apenas algo que nos acompanhou, mas que já pode ser retirada.

 

Nunca fui muito de retiros…até passar a ser.

Se me dissessem há uns anos atrás que eu iria estar alguns dias a questionar o que vai cá dentro, a reação imediata era rir do assunto e achar que não era para mim.

Até chegar a altura de me sugerirem o primeiro fim-de-semana a olhar para dentro. Algo que surgiu naturalmente e que aceitei com curiosidade.

Foi uma experiência libertadora. Recordo de ter passado muito tempo a gastar os lenços de papel existentes no local. Tal como recordo de ter saído de lá com mais de 30 picadelas de mosquito (bati o record de picadas de insetos nesse fim-de-semana).

Mas também saí de lá com algo de diferente. Ou dito de outra forma, saí de lá sem algumas das cascas que cobriam a minha serenidade.

Como disse uma pessoa quando alguém lhe perguntou o que andava a fazer nas sessões de educação emocional “ando a descascar cebolas!”.

Esta é a grande aventura de um retiro. E pode ser feito durante um fim-de-semana, ou pode ser feito durante a vida toda: retiramos o que não importa, para destapar o que sempre esteve em nós: a serenidade e a paz interior.

E podemos passar o tempo a olhar para fora e a julgar o que está mal, ou podemos olhar para dentro com curiosidade e perguntar se a camada para onde estamos a olhar ainda nos faz sentido ou é apenas algo que nos acompanhou, mas que já pode ser retirada.

E camada após camada, tornamo-nos mais serenos e mais completos. Mais em sintonia com o que nos faz sentido.

1 comentário a “Retirar o que não importa

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