Arquivo mensal: Outubro 2016

Workshop e Sessão de Autógrafos | Espiral | Lisboa | 03 de dezembro

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Surgem muitas vezes na nossa mente pensamentos que incomodam e dos quais nos queremos ver livres.

O que aconteceria se olhássemos para esses pensamentos de outra perspetiva?

Neste Workshop iremos desenvolver técnicas simples que podem ser utilizadas no dia-a-dia e que nos ajudam a lidar com os pensamentos incomodantes, seguido de sessão de autógrafos do livro “Pensamentos Incomodantes – Um guia prático para pensar pensamentos”.

Entrada Livre

Café | Espaço Espiral | 03 de dezembro | 15 horas
Informações:
Ana Pifre | 918 112 675 | aoencontrosilenciointerior@gmail.com
Espiral | 966 605 625| 214 094 487 |info@espiral.pt

Limpar o nevoeiro

De início, é como olhar através de uma janela muito suja e nem sabemos bem por onde começar. 

 

Acontece por vezes com pessoas que iniciam um trabalho de desligar o estado de piloto automático o não saberem o que as está a incomodar.

Quando surge a questão ” afinal o que gostaria de resolver”, a resposta é muitas vezes “não sei”.

Sim, existe um desconforto, uma insatisfação, uma raiva ou uma tristeza, mas não sabemos exatamente a origem. Apenas sabemos que não queremos sentir essa sensação e procuramos formas de camuflar e de fugir.

Como se esta sensação se encontrasse lá fora e, ao fazer um processo de fuga, conseguíssemos encontrar a boa disposição que achamos nos vai transformar.

Acontece que esta sensação é interior e, à medida que vamos fugindo cada vez mais, torna-se cada vez maior, conduzindo-nos muitas vezes a uma de duas situações: ou aumentamos as doses do que quer que seja que estejamos a fazer para aumentar a fuga, ou o processo torna-se insustentável e buscamos algo que nos ajude.

Muitas das pessoas que já iniciaram este trabalho, tinham chegado ao ponto em que sentem que estão por tudo e dispostas a fazer qualquer coisa para deixar o desconforto.

Costumo brincar com isso e dizer “bem-haja pelo desconforto. Por ser o motor que nos leva a olhar para o que nos rodeia de maneira diferente.”

E é neste estado de nevoeiro mental que iniciamos muitas vezes um processo de olhar para dentro. É neste estado que estamos disponíveis para o momento presente.

De início, é como olhar através de uma janela muito suja e nem sabemos bem por onde começar. 

Mas, aos poucos, a janela começa a ter espaços mais luminosos, por onde se consegue espreitar e eventualmente perceber que o que nos incomodava afinal já não faz sentido.

E, bocado a bocado, os espaços luminosos são cada vez maiores. O nevoeiro dispersa-se e conseguimos ter uma ideia mais concreta do que nos rodeia, das histórias que contamos sobre o que está a acontecer no momento.

E tornamo-nos muito mais observadores do momento presente, em vez de reativos.

E o momento presente, é tudo aquilo que temos.

Estar em equilíbrio

Mas julgar a situação será inútil se não estivermos presentes para ouvir o que podemos eventualmente fazer para mudar algo.

 

Estar em equilíbrio é mais do que ter sensações agradáveis e pensamentos positivos. Estar em equilíbrio é sentir o que está a acontecer no momento e estar presente para o que se sente.

É estar presente para o momento, sem etiquetas, sem julgamentos.

Este equilíbrio vem da quebra de resistência para o que acontece, para a aceitação do que se sente.

E aceitar não significa resignar, baixar os braços e fazer nada.

Aceitar, significa sentir o que está a acontecer sem julgar e estar presente para a informação que possa vir até mim. Para que possa perceber o que posso fazer para mudar a situação, se necessário.

E muitas vezes não é fácil estar presente sem julgar. Existem situações que nos tocam e que nos incomodam pela sua intensidade.

Mas julgar a situação será inútil se não estivermos presentes para ouvir o que podemos eventualmente fazer para mudar algo.

E por vezes, o que é pedido, é que eu esteja presente para ouvir o que está a acontecer ou para ouvir o outro, sem julgar, apenas como um observador ou ouvinte…em equilíbrio.

Somos feitos de Luz e de Sombra

Somos feitos de tudo o que nos rodeia, do que gostamos e admiramos até ao que não queremos e não gostamos. Do riso até à lágrima, do silêncio até ao grito.

 

Somos feitos de Luz e de Sombra e por isso somos Completos.

Somos feitos de verdade e de mentira, de amor e de raiva, de tristeza e de felicidade.

Mas quando rejeitamos algumas características em nós, estas ficam lá fora, à nossa volta e projetadas nos outros, até que estas características sejam reconhecidas em nós.

Até nos tornarmos completos.

Quando reconhecemos que todas as características são nossas, algo de mágico acontece. Como se a Vida nos dissesse que esta lição já está aprendida e que, por isso, o que nos rodeia já não necessita de ser uma projeção do que não queremos e passa a algo confortável e gratificante.

Os outros deixam de ser “os outros” para passarem a ser também parte de nós, semelhantes na sua universalidade e em todas as qualidades que transportam. Deixa de haver o Eu e o Outro, para passar a haver o Todo.

Somos feitos de tudo o que nos rodeia, do que gostamos e admiramos até ao que não queremos e não gostamos. Do riso até à lágrima, do silêncio até ao grito.

Somos feitos das experiências que nos conduzem à consciência do Todo, se assim quisermos entender.

E no fim, voltamos ao todo do outro lado.

O que aconteceria se começasse a ter a experiencia do todo no aqui e agora?

Eventualmente, deixaríamos de ter tanta necessidade de mostrar que somos feitos de luz, para passar a estar no momento, como alguém completo, tal como tu.

Sim ou Não?

O que é que quero que o outro pense de mim quando lhe digo que sim, colocando de parte o que sinto e desejo?

 

Temos muitas vezes dificuldade em dizer não. Quando damos por nós, muitas vezes o sim já foi dito ao que nos é pedido, sem que corresponda ao que é sentido naquele momento, o que nos conduz normalmente a uma sensação de desconforto e de mal-estar.

Surgem pensamentos sobre o assunto e sobre a má vontade de fazermos o que é pedido. É frequente passarmos dias a “matutar” sobre o assunto e acabamos por despender mais energia a pensar sobre a resposta dada do que na realização do que foi pedido.

Um não é tão válido como um sim, e não existem respostas corretas para as situações. Mas o que nos conduz a esta necessidade de automaticamente de dizer sim ao outro, sem sentirmos primeiro se é isso que desejamos?

O que pretendo do outro, quando aceito fazer algo que não desejo?

O que é que quero que o outro pense de mim quando lhe digo que sim, colocando de parte o que sinto e desejo?

O que poderia acontecer se parasse para sentir o que está a acontecer, para prestar atenção às sensações que surgem à medida que os pensamentos aparecem?

Sentir a respiração, sentir as tensões ou sensações desagradáveis, “sentir os pensamentos” e as emoções que surgem?

O que poderia acontecer se parasse para prestar atenção às sensações desconfortáveis e questionasse de onde é que surgiram, quando foi a primeira vez que me senti assim e o que pode acontecer se der uma resposta contrária à que daria de forma automática?

Eventualmente poderei dar início a uma maior consciência do que está a acontecer em mim e ao que pretendo do outro, originando respostas mais sinceras e mais de acordo com a minha verdade interior.

Sim ou não?

Não sei…vou primeiro sentir a resposta…