Surpreendentemente, pareço ter mais tempo para os assuntos da agenda e não só.
Durante muito tempo vivi com a necessidade de estar em ambientes limpos e arrumados e com os pontos de agenda em dia.
Até aqui parece estar tudo bem, não fosse a necessidade obsessiva de cumprir tarefas da agenda, programas de limpeza e arrumações escalonadas.
Deixava de estar presente para o que na realidade era mais importante, para me dedicar à limpeza, muito em especial ao vício da arrumação.
Deixava de estar presente para a família e para mim, para ir fazer o que estava programado, não sei muito bem onde.
Até que dei por mim a questionar o que é que andava a fazer?
O que é que aconteceria se não fizesse isto nesta altura ou se simplificasse o processo?
Dei por mim a perceber que, surpreendentemente, o mundo não iria acabar apenas porque a tarefa que eu achava importante não tinha sido realizada de acordo com a minha agenda imaginária.
Imaginária porque, se a Vida não me dá tempo para fazer o que eu achava importante, é porque não tem assim tanta importância.
Hoje em dia as tarefas da agenda, de limpeza e arrumação são vistas com uma maior leveza.
Ao ponto de alterar a agenda para poder estar presente para um evento supostamente importante e esse evento não se realizar.
E, de repente, tenho tempo disponível para outra coisa qualquer. E isto pode ser saborear um almoço com uma amiga ou passar a tarde na minha companhia.
Surpreendentemente, pareço ter mais tempo para os assuntos da agenda e não só.
Afinal de contas, a casa está mais arrumada. Não a casa exterior, mas a interior, com o sótão e a cave bem mais arejados e com espaço para parar e saborear os imprevistos que surgem.
Com todo o prazer.
