E quanto mais eu quero esconder, ocultar, encobrir, mais os relacionamentos mostram tudo o que não desejo ver.
Muitos vezes são os relacionamentos que nos levam a um maior trabalho de conhecimento interior.
E muitas vezes, não são aqueles relacionamentos que nos envolvem, nos dão tranquilidade que conduzem a este processo, mas sim aqueles que nos incomodam, que nos fazem gritar e que nos levam ao choro desalmado.
São estes relacionamentos que perguntam uma e outra vez como é que eu me relaciono comigo. Como é que mostro ao outro como é que eu me trato e como o outro me deve tratar?
Como alguém dizia no outro dia, as situações são complexas.
Se fossem simples, haveria um ou dois livros escritos, que poderíamos seguir e funcionar todos da mesma forma e viveríamos felizes para todo o sempre. Mas não é assim que acontece.
Aquele relacionamento que me incomoda está ali para que eu possa seguir para dentro de mim, se assim o entender, e se o momento de olhar para as feridas do passado tiver chegado.
Não como uma poção mágica que posso tomar e sentir-me bem logo de seguida, mas como um novelo que vou desenrolando aos poucos, desatando os nós e ligando as pontas soltas.
E durante este processo, surgem as vergonhas, as culpas e os medos do passado.
Surgem as aprendizagens emocionais que se acumularam e que me mostravam tudo aquilo que não queria ver em mim.
E quanto mais eu quero esconder, ocultar, encobrir, mais os relacionamentos mostram tudo o que não desejo ver.
Posso continuar a camuflar ou posso olhar aos poucos para a situação, para o desconforto e colocar as questões “Como é que eu me relaciono comigo?” ou “O que é que penso de mim?”
Porque o outro irá mostrar-me o que não quero ver.
E se, aos poucos, for desenrolando o novelo, até não restar nada para esconder?
Ficará eventualmente a essência do Ser completo que sou.
Possivelmente o outro irá mostrar-me que nada de mal existe comigo e que os pensamentos que surgiam e que podem surgir são apenas turistas e que não pretendem ficar para todo o sempre.
E é quando eu sinto um bem-haja por cada situação incómoda que encontro o equilíbrio nas relações, que apenas refletem a minha relação comigo.
