Uma boa incompetente

E a Vida flui em cada um de nós, sem a necessidade de perguntar se tenho competência para o fazer.

 

Ser competente foi durante muito tempo uma necessidade para mim.

Mostrar que era competente e que sabia resolver os problemas, encontrar as soluções ou chegar àquela conclusão era fundamental.

Havia uma grande necessidade, um grande dispêndio de energia e de atenção para mostrar toda a competência que considerava necessária.

Contudo, esta competência era demonstrada nas áreas que considerava zonas de conforto, onde me sentia suficientemente à vontade para ter resultados prováveis.

E havia aquelas áreas da vida onde nem sequer tentava mostrar que era muito competente, já que não sabia como fazê-lo e, como tal, achava não valer a pena ingressar por esses caminhos, já que considerava não conseguir qualquer resultado satisfatório.

Curiosamente, a partir de uma certa altura, por mais que tentasse ser uma pessoa muito competente nas áreas de conforto, havia sempre algo a falhar, alguém a apontar o dedo e a mostrar que nada estava feito conforme desejava.

E por outro lado, a Vida ia-me puxando para as áreas onde o medo me boicotava e nas quais eu não fazia ideia de como agir, mostrando-me que não tinha necessidade de saber o que fazer.

Estas alterações tiveram como vantagem fazer-me parar e questionar porque é que ser competente era tão importante para mim. O que é que andava a tentar esconder de mim e dos outros e porque é que fugia de situações com as quais considerava não conseguir lidar.

Aos poucos, as sensações perante as diversas situações foram mudando. Fui tantas vezes chamada de incompetente, apesar de tentar sempre fazer tudo bem, que questionei quais os benefícios de todo este processo.

E descobri que o maior benefício residia na aprendizagem e em perceber que fazia sempre o melhor que conseguia a cada momento.

Por último, descobri que em cada situação existe uma lição e que, por vezes, é onde nos sentimos mais desconfortáveis que aumentamos a consciência de nós mesmos.

Neste momento, abordo cada situação questionando onde é que a minha experiência passada pode ser útil. Onde é que os ensinamentos passados podem ajudar a situação presente.

Eventualmente, a solução necessária surge, e não vem necessariamente através de mim.

E a Vida flui em cada um de nós, sem a necessidade de perguntar se tenho competência para o fazer.

Assim.

Simplesmente.

 

 

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