“se não acontecer desta forma, surgirá o que a Vida de melhor tiver para mim”
Eu procuro, busco, peço, faço pedidos para que a Vida me dê aquela situação ou aquela relação ou aquilo que me iria mesmo fazer feliz.
“Era mesmo isto que me iria fazer sentir melhor. Sem dúvida.”
Como dizia o filhote quando era pequeno “Eu quero agora, já!”
E reclamo, grito, esperneio, quando isso não acontece neste momento.
E curiosamente, não paro para pensar porque estou a colocar a minha felicidade neste acontecimento.
Não a felicidade dos contos de fadas, onde vivemos dessa forma para sempre, mas a felicidade de saborear o que está a acontecer.
Em sessões individuais, cruzo-me por vezes com situações onde a insatisfação está muito presente. Quero sempre mais coisas, sem saber muito bem porque quero. Apenas sei que quero essa situação.
Vamos estabelecendo metas e objetivos, que nos permitem ficar em “modo busca”, muitas vezes para poder fugir da dor dos pensamentos que nos perturbam. E dizemos cá para nós “quando esta situação acontecer é que é”.
E o que acontece na realidade quando o que desejei durante algum tempo se concretiza? Será que a tal felicidade estaciona na minha vida para todo o sempre? Ou será que dou início a um novo ciclo de desejos e de buscas?
Será que preciso mesmo do estado “feliz para todo o sempre”?
E se o que procuro estiver aqui mesmo, com todas as dores, e dramas, e situações que incomodam?
O que aconteceria se parasse neste momento e deixasse de procurar, e apenas olhasse para os pensamentos deste momento, para tudo o que tenho agora?
E posso sempre estabelecer o próximo limite e a próxima meta, com o desapego que surge da certeza: “se não acontecer desta forma, surgirá o que a Vida de melhor tiver para mim”.
Afinal de contas, o que acontece no momento, por muito doloroso que possa parecer, pode ser o motor que me conduz de volta a mim, tornando-me mais completo e consciente e sem necessidade de procurar lá fora o que já está aqui dentro.
