Arquivo mensal: Abril 2017

A alegria está em mim

A alegria está em mim, e não nas coisas que acontecem.

 

Todas as emoções estão em mim a todo o momento, independentemente de ter ou não essa noção. Tal como todo o nosso corpo a funcionar, sem necessidade de haver uma indicação consciente: coração tens de funcionar e agora os rins e os pulmões e por aí fora, todas as emoções estão contidas em nós em cada momento.

Contudo, tal como acontece quando temos uma dor ou uma sensação desconfortável, damo-nos normalmente conta das emoções quando algo acontece.

E se algo não acontece conforme desejamos, parece que a alegria, o contentamento e a serenidade vão embora.

Mas quando os acontecimentos fluem de acordo com o planeado, sentimos o que nos é agradável, como se estas sensações estivessem no exterior.

E esquecemos muitas vezes de que as emoções estão todas contidas em nós, pelo facto de reagirmos ao que está a acontecer, em vez de reconhecer que o que sentimos está cá dentro e não lá fora.

E quando nos encontramos em modo reativo, buscamos lá fora o que nos devolve as sensações que gostamos, como a alegria , a felicidade ou a serenidade.

Mas quando recordamos que tudo o que é sentido é nosso e se encontra no interior, acordamos para o facto de podermos voltar a sentir todas as emoções e sensações, sem a necessidade de replicar as experiências que me parecem trazer de volta sensações prazerosas.

E fico bem.

Não porque me estou a sentir sempre alegre e feliz, mas sim porque compreendo que as experiências do momento me fazem sentir emoções diversificadas, que residem no meu interior.

A alegria está em mim, e não nas coisas que acontecem.

E é tudo o que preciso para estar aqui e agora.

Às vezes

Generalizamos e fazemos por vezes grandes dramas sobre os assuntos quando aplicamos o “sempre” ou o “constantemente”.

 

Temos tendência a achar que estamos sempre deprimidos, sempre zangados, sempre com dores ou sempre com falta de dinheiro.

Generalizamos e fazemos por vezes grandes dramas sobre os assuntos quando aplicamos o “sempre” ou o “constantemente”.

Mas será verdadeiro o estar sempre desta forma?

Os será que damos conta de que estamos a repetir esta sensação quando não estamos distraídos?

Na verdade, será que estou sempre a sentir o mesmo de forma intermitente?

Não será mais verdadeiro o sentir “às vezes”?

Falava com uma amiga sobre estas sensações que acredita estar com uma depressão. Depois de algum tempo, a expressão “eu estou sempre deprimida”, passou para “por vezes estou deprimida”.

E não estou deprimida quando estou a dormir, quando estou distraída a conversar com alguém ou quando sorrio por estar entretida com alguma coisa.

E isto não significa que deva ignorar o que sinto ou que deva “deixar andar que isso passa”.

Mas se tiver consciência de que é impossível sentir da mesma maneira de forma permanente, pode ajudar a relativizar uma situação dolorosa e percecionar que sinto tristeza ou dor ou frustração e que também sinto outras sensações.

E quando reconheço que também tenho estas outras sensações, relativizo a situação e eventualmente isto pode ajudar a viver de forma mais completa e a experienciar também as restantes sensações de riso, alegria e serenidade com uma maior consciência da sua existência.

Às vezes, é mesmo muito útil.

O gostar de mim

E emergiu um riso lá do fundo, ao surgirem pensamentos sobre não haver necessidade do gostar do outro para me sentir bem.

 

Um pensamento colou-se a mim um dia destes.

Não daqueles pensamentos que incomodam (e que são muito úteis), mas daqueles pensamentos que nos levam a outros pensamentos e nos fazem questionar porque é que estava a ter determinado comportamento com algumas pessoas.

E o pensamento surgiu de algo ouvido ou lido algures, nem me lembro bem como apareceu. Mas espreitou e fez-se ver e sentir.

E, de repente, aumentou a sua intensidade: “nem todas as pessoas vão gostar de ti”.

Sim, é verdade. Nem todas as pessoas vão gostar de mim.

E os pensamentos seguintes tornaram-se mais interessantes: “porque é que preciso que as pessoas gostem de mim?” “Na realidade, não preciso que o outro goste de mim “.

E com estes pensamentos a surgir, vieram as sensações de espanto e tranquilidade.

Sim, é verdade que não preciso que todas as criaturas gostem de mim.

Isto não significa que seja indelicada com algumas pessoas, significa apenas que não tenho nada a ver com o que o outro sente ou pensa de mim. Não é negocio meu, como costumamos dizer nesta ferramenta de educação emocional.

E emergiu um riso lá do fundo, ao surgirem pensamentos sobre não haver necessidade do gostar do outro para me sentir bem.

E vieram ainda mais pensamentos sobre a maluqueira que seria ter todas as pessoas do planeta a gostarem de mim.

E o riso aumentou.

Acho que se abriu mais uma das minhas caixinhas de crenças, que ficou mais limpa e desimpedida.

Afinal, existem pensamentos que se colam e nos deixam mais sorridentes.

Ecos do passado

Repetimos estes ecos até, eventualmente, estarem tão intensos que já não conseguimos fingir que não estão a acontecer.

 

Ao longo deste percurso, fui-me dando conta de que repetimos os padrões emocionais ao longo da vida, até ao momento em que estamos em paz com as situações.

Na verdade, não temos um novo emprego ou uma nova pessoa na vida. Temos ecos que surgem do passado e que se vão repetindo, por mais que se deseje funcionar de maneira diferente.

E, de início, surgem as expectativas e parece que as experiências mudaram. Mas à medida que avançamos no tempo, damos conta de mais um ciclo que se repete e não percebemos porquê.

Aparecem as frustrações e as recriminações, os julgamentos e as culpas. Tal como o medo de se vivenciar as mesmas emoções.

Perante estas sensações, tentamos fugir ou fingir que nada se passa e que está tudo em ordem, quando efetivamente estamos a repetir os padrões e a ouvir os ecos do passado.

Repetimos estes ecos até, eventualmente, estarem tão intensos que já não conseguimos fingir que não estão a acontecer.

É nesta altura que podemos parar e ouvir verdadeiramente quais as repetições presentes e o que sentimos perante estes padrões.

Podemos reconhecer a origem dos ecos do passado e ficar em paz com eles. E sentir que o que está a acontecer é o melhor que poderia acontecer.

Não por ser o que queria, mas por ser eventualmente o que me conduz a uma maior perceção dos padrões e repetições presentes.

Os ecos do passado estão aí, mas será que estou a ouvi-los?