A preguiça

Permito-me olhar e perceber que não vale a pena manter e alimentar uma situação mais do que o necessário e que a vida irá resolver por si o que é para resolver.

 

Durante muito tempo lutei contra o facto de ser preguiçosa.

Necessitava de mostrar que estava sempre ocupada e a trabalhar, como uma formiguinha trabalhadora e dedicada.

Expressões do tipo “tenho de”, “preciso” e “deveria” eram bastante utilizadas para provar que era expedita, trabalhadora e muito, muito dinâmica.

Parece que nem permitia que as situações se resolvessem por si, ficando apenas uma parte essencial onde eu poderia intervir. Pelo contrário, eu tinha de “mostrar trabalho” e de resolver as questões.

O desgaste diário era por vezes muito grande, nestas rotinas sempre preenchidas e dedicadas a provar algo que nem tinha consciência do que estava a fazer.

Contudo, percebo agora uma grande vantagem em ser preguiçosa: quando paro para deixar que a situação tome o rumo que tem a tomar, permito que as soluções surjam sem desgaste e atrito com os outros.

O fluxo dos acontecimentos segue para onde tem de ir, e eu faço o que é para fazer, sem o cansaço de ter de provar algo seja a quem for.

Permito-me olhar e perceber que não vale a pena manter e alimentar uma situação mais do que o necessário e que a vida irá resolver por si o que é para resolver.

A preguiça pode ser considerada a mãe de todos os vícios, mas também nos pode tirar de muitas situações complicadas….

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