O incómodo

E poderá ser que o outro deixe de incomodar, para passar a ser alguém que está presente e me ajuda a compreender melhor o que acontece dentro de mim.

 

Muitas vezes, quando a experiência que está a acontecer não é a que gostaríamos, temos tendência de tentar mudar os acontecimentos através do outro.

“O outro deveria mudar o comportamento” ou “se o outro mudasse eu responderia de maneira diferente” são exemplos de pensamentos recorrentes no dia-a-dia.

“O outro incomoda-me e deveria mudar para eu me sentir bem.”

E nem paro para pensar no porquê destes pensamentos, que são incontroláveis.

Não consigo parar de pensar (e se considero que controlo pensamentos, talvez seja melhor pensar outra vez) e também não consigo controlar o que o outro faz ou o que o outro pensa.

Durante este processo de facilitadora de trabalho de educação emocional, tenho tido experiências que me mostram que o outro, mais do que ser aquele que me incomoda, pode ser aquele catalisador para eu olhar melhor para o que acontece e para os pensamentos que surgem sobre isto.

Será que é o outro que me incomoda (coloco a atenção lá fora), ou sou eu que me incomodo com o outro (coloco a atenção cá dentro)?

E existe uma grande diferença entre querer que o outro mude porque me incomoda e sentir-me incomodado e tentar perceber porquê.

E isto não significa que os comportamentos dos outros sejam corretos e que tenha de os permitir.

Significa sim que existe algo que me deixa desconfortável e que posso questionar esse desconforto, sabendo que é meu.

Posso experimentar deixar surgir os pensamentos que incomodam sobre o outro e questionar “Quando foi a primeira vez que pensei isto sobre alguém?” ou “Quantas vezes senti este desconforto sobre outras pessoas?”

De que forma estas sensações e este desconforto me são familiares?

Como seria o meu dia-a-dia se fosse questionando os pensamentos que surgem, em vez de reagir automaticamente ao que me é colocado?

E poderá ser que o outro deixe de incomodar, para passar a ser alguém que está presente e me ajuda a compreender melhor o que acontece dentro de mim.

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