O observador

Qual a utilidade de tentar mudar o comportamento do outro se eu não quero mudar e sou eu que me incomodo?

 

Como seria o momento se passasse um dia inteiro a questionar os pensamentos que surgem?

Como seria se não considerasse os pensamentos que aparecem como informação que já conhece, mas sim como coisas por descobrir?

E como seria se não acreditasse quando se mostram pensamentos do tipo “amanhã é segunda-feira e tenho de ir trabalhar” ou “o filho deveria ouvir-me” ou “preciso de mais dinheiro”?

Teria apenas de observar as reações físicas e o que se está a passar neste momento. Tornar-se espectador dos pensamentos, permitindo desta maneira um fluxo das histórias que vão e vêm.

Podem surgir pensamentos a dizer que não posso questionar essas histórias, que eu preciso e tenho de fazer aquelas coisas todas e que tenho de me preocupar.

Histórias de medos, de vergonhas e de culpas, todos com origem no passado distante e que se multiplicaram ao longo de anos.

E posso observar o que vem, o incómodo que sinto, as reações físicas e os pensamentos que me dizem que o que estou a fazer não tem sentido.

E continuo apenas enquanto observador, questionando se todos estes pensamentos são verdadeiros e o que me fazem sentir.

Será que é útil continuar a sentir ansiedade por uma coisa que não está a acontecer?

Qual a utilidade de tentar mudar o comportamento do outro se eu não quero mudar e sou eu que me incomodo?

Eventualmente, poderei sentir-me ridículo neste processo e rir-me um bocado durante o dia.

Mas também poderei encontrar algumas respostas que surpreendem pela sua simplicidade.

E, se o fizer regularmente, poderei aprender a estar presente para mim no momento presente e concluir que, quando relativizo os pensamentos que surgem, fico mais em paz para mim e para os outros.

Torno-me apenas o observador do que acontece, sem mais histórias.

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