Permitir acontecer

A minha experiência, mostra-me que chego aqui e permito acontecer quando observo os pensamentos que estão no momento.

 

A vida acontece sem necessidade de qualquer permissão. Os acontecimentos sucedem-se sem que tenhamos de dar autorização ou validar seja o que for.

E quando funcionamos fora deste fluir, acreditando que temos de lutar pelas coisas e que somos responsáveis pelas eventualidades, criamos resistência, ansiedade e, por vezes, muita dor.

Permitir acontecer, é deixar fluir os acontecimentos sem julgamentos ou etiquetas. É sentir que nada do que possa fazer neste momento pode alterar o que a vida pretende, e perceber que posso parar para ouvir e respirar o que o momento me diz.

Permitir acontecer não é deixar de desejar algo no futuro, mas sim desejar e deixar acontecer o que tiver de acontecer. E, se não for esse o caminho, é porque a experiência a viver não passava por aí.

Permitir acontecer não é ficar impossibilitado de pensar no passado, mas sim deixar que esses pensamentos nos visitem e possam ir embora. E se vier uma tristeza ou uma alegria, sentir essa emoção.

Permito acontecer quando estou neste momento, sem forçar os acontecimentos, sem achar que a vida é injusta porque não me dá o que acho que preciso, sem julgar o outro apenas porque tem experiências diferentes da minha.

A minha experiência, mostra-me que chego aqui e permito acontecer quando observo os pensamentos que estão no momento.

Quando aprendo a desmontar as histórias da mente e deixo de lhes dar a importância passada.

E, no início, pode não ser um processo fácil, porque tenho primeiro de permitir-me ser vulnerável perante mim e os outros. Porque entendo que, se quero que os outros sejam gentis, não espero que isso aconteça e que a gentileza começa em mim, sem necessidade de retorno do outro.

Aos poucos, permito que aconteça a alegria em mim, independentemente de algumas pessoas à volta não estarem alegres. Apenas compreendo que somos pessoas com experiências diferentes e que posso ficar ou afastar-me.

Eventualmente, sinto a vida a viver-se através de mim. Não sou eu que tenho as ideias para escrever um texto, mas são as ideias que surgem, não se sabe de  onde e também não importa.

Sou sim o veículo através do qual se permitiu que o texto acontecesse.

E pode entretanto surgir mais outra ideia ou não.

Não como uma marioneta da qual são puxados os fios do seu movimento, mas sim como um ouvinte, que dá mais atenção aos pequenos detalhes e sussurros, que sugerem o caminho, pelo qual eu posso sempre deslocar-me ou não.

Permitir acontecer é simplesmente estar aqui.

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