Perdemo-nos no medo de perder

O medo de perder o que não é nosso aumenta, à medida que o tempo passa e os anos acontecem.

 

Perdemo-nos no medo de perder pessoas e situações. De perder o/a companheiro/a, o emprego, o/a amigo/a, a imagem.

E, no meio deste medo, partes de nós vão sendo camufladas, para que “nada de mal aconteça” ou por “uma boa intenção”.

“Não devo fazer isto ou dizer aquilo” povoam a nossa mente, camuflando e ocultando de nós próprios e do outro o que faz parte da nossa essência.

E, aos poucos, não sou eu que estou na frente do outro, não sou eu estou com o outro, mas apenas uma parte de mim.

Um eu incompleto, cheio de vergonha e de medo.

Curiosamente, temos medo de perder, quando na realidade, já perdemos o mais importante, o contacto com a essência e com o genuíno que há em nós.

E nem nos damos conta do que perdemos cá dentro, para alimentar o que existe lá fora.

O medo de perder o que não é nosso aumenta, à medida que o tempo passa e os anos acontecem.

Eventualmente, ocultamos tanto da nossa essência, que nos tornamos totalmente sombra de nós próprios.

Já não somos nós que estamos presentes no momento, mas apenas o medo, a culpa e a vergonha.

E lidamos também com o medo, a culpa e a vergonha do outro, em vez da sua essência.

Por vezes, o melhor que pode acontecer, é chegar ao que achamos ser o limite de não aguentar mais, e que nos leva a querer fazer algo para descobrir a essência e o que existe de genuíno em nós.

Pode ser um processo doloroso, mas eventualmente é um processo libertador de todas as camadas que não me permitem ficar em paz.

Uma ferramenta que permite descobrir e integrar todas as partes em mim, até ficar completo.

Talvez descubra que não posso perder nada que não é meu, que a Vida me emprestou e que não sei quando vai pedir de volta.

Mas é o que está presente para mim no momento, e posso ficar grato por isso.

E os medos poderão continuar presentes também. E eu, em vez de os ocultar, estarei enquanto observador dessas histórias, permitindo que entrem e saiam da mente, apenas como filmes que são. Nada mais.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *