O outro lado das coisas

A perda, a dor, a frustração, estavam ali para mostrar que existe algo em todo este processo de aprendizagem.

 

Uma das ferramentas que me tem ajudado ao longo dos últimos anos, consiste em olhar para o outro lado que está a acontecer.

Olhar para a situação como se estivesse a olhar de fora.

Ou, quando não consigo estar de fora, tentar encontrar as vantagens dessa situação.

Por vezes, pode parecer impossível encontrar uma vantagem quando estou a caminho do hospital por alguma questão de saúde ou alguma dor, mas existe um hospital para onde ir.

E eu poderia estar sem qualquer tipo de apoio ou de assistência.

E existem pessoas que tomam conta de mim.

E a questão ou a dor continuam a existir, tal como a assistência e o apoio. E posso relativizar o que acontece e olhar para as diversas coisas que acontecem naquela altura, ou posso dramatizar a achar que tudo de mal me acontece e sou um coitadinho ou coitadinha.

Na realidade, posso reagir conforme me fizer sentido, sem que haja a forma correta de o fazer.

Existe apenas o que acontece no momento e os pensamentos que surgem sobre isso.

Posso fazer um drama ou observar o que acontece.

Na minha experiência, sempre que fiz um drama, a Vida ia mostrando a seguir que o pior poderia estar para acontecer.

Não como uma forma de penalização, mas como uma aprendizagem que mostrava que tudo é relativo.

A perda, a dor, a frustração, estavam ali para mostrar que existe algo em todo este processo de aprendizagem.

Quando aprendi a olhar para o outro lado do que acontece, passei a ter menos dramas a acontecer cá dentro, e a ter mais espaço para respirar e sentir o momento.

E a sensação pode não ser agradável, mas é sentida com muito menos carga emocional e mais como uma experiência.

Será que perco quando algo se afasta e me prejudica?

Ou será um benefício?

E se tudo o que existe neste momento saísse para dar lugar a novas situações?

Como poderíamos renovar, mantendo tudo na mesma?

A Vida mostra-nos o seu permanente movimento.

E o outro lado das coisas, permite-nos dar lugar à observação do que acontece e espaço para o que acontece no momento seguinte, liberto de dramas.

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