Arquivo mensal: Dezembro 2017

A luz e a sombra do tempo

O tempo pode dar-nos a leveza da flexibilidade ou a dureza da amargura.

 

O tempo traz serenidade sobre as situações passadas, mas também pode trazer ressentimento e mágoa.

A forma como observamos os pensamentos que vão surgindo e como reagimos, ajuda o tempo a deixar-nos serenos ou magoados relativamente a essas situações.

À medida que o tempo passa, instala-se uma maior flexibilidade, quando compreendemos que tudo é relativo e que, quando a Vida quer fluir numa determinada direção, nada se pode fazer para deter esse fluxo e que apenas conseguimos adiar o seu movimento.

Ou não…

Porque por vezes, o tempo instala a mágoa e o ressentimento, a dureza e a amargura.

E estas sensações derivam do facto de não saber como fazer para fluir na corrente, por achar que tudo tem de ser feito à minha maneira e que o que me rodeia está errado.

Porque acredito que tudo o que está lá fora não está certo e que caminhamos para o abismo.

O tempo pode dar-nos a leveza da flexibilidade ou a dureza da amargura.

Mas será mesmo o tempo que nos provoca estas marcas?

Ou serei eu que me posso ajustar, ao parar para observar o que se passa, tornando-me uma pessoa mais serena, à medida que a Vida flui e vai acontecendo à sua maneira?

Escolher a luz do tempo, poderá significar apenas não reagir automaticamente e ficar enquanto observador do meu redor.

Por vezes, sinto-me a correr

São as histórias que vão sendo contadas, e que vão perdendo peso, à medida que vão sendo questionadas.

 

Por vezes, dou por mim com a sensação que tenho de correr, com a respiração a acelerar e a tornar-se superficial.

O corpo fica tenso e, sem me dar conta, instala-se um estado de alerta e de ansiedade.

Parece que existe algo que tem de ser rapidamente resolvido, que existe uma resposta que tem de ser dada, pois se tal não acontecer, algo de mau vai acontecer.

É um estado muito familiar e que vem lá de trás.

Antigamente, costumava instalar-se e ficar presente durante muito tempo.

Hoje em dia, chega mais ou menos devagarinho, mas é notado mais facilmente.

Os pensamentos que dão origem a esta necessidade de correr para responder a algo continuam a aparecer com frequência, a diferença reside nas questões que são colocadas a seguir, e que permitem retirar a aparência de factos a acontecer e transformá-los em histórias da mente.

“De onde vem esta sensação?”

“Será verdade que a história que estou a contar na minha mente está a acontecer?”

E, muitas vezes, estas questões ajudam a regressar ao presente, à minha respiração, ao corpo e ao que está a acontecer no aqui e agora.

Existem momentos em que as questões demoram tempo a chegar e esqueço que a sensação de urgência deriva de algo que se passa apenas na mente.

Que são apenas reflexos de medos do passado, que vieram até mim neste momento, mas que não existem.

Por vezes, este medo é subtil na forma como se insinua e começa a contar histórias.

Depois, surge a sensação de preocupação.

“Sobre o quê é que eu estava a pensar neste momento, e que deu origem a esta sensação?”

“E o que isto significa para mim?”

E a tranquilidade volta, à medida que regresso ao aqui e agora.

São as idas e vindas dos ciclos de pensamentos.

São as histórias que vão sendo contadas, e que vão perdendo peso, à medida que vão sendo questionadas.

E não controlamos esses relatos que vão acontecendo.

Mas podemos retirar-lhe o peso, ao parar e questionar a sua autenticidade.

“Isto está a acontecer agora?”

“Será verdade?”

Pensamentos Incomodantes

(…) “De uma maneira simples, fazer este trabalho leva-me a ter outra perspetiva das situações.

Aos poucos, e à medida que vou sentindo os benefícios do que antigamente achava serem vivências difíceis, fico mais liberta, mais serena e mais em paz.

E, por vezes, surgem os pensamentos de que isto é apenas o início do trabalho e que muito ainda existe para fazer.

É para todo o sempre, que é como quem diz: é durante os próximos segundos que Puf! já foram.

E frequentemente o único pensamento que existe é seme-lhante àquela imagem do Homer Simpson, em que existe apenas um donut no cérebro. E é uma delícia ter apenas o pensamento de um donut para pensar.

É esta a minha imagem de ilha de serenidade. Hummmm, donut…”

Excerto do livro “Pensamentos Incomodantes”

O que desejas?

A resposta é dada a seu tempo, no silêncio, quando focamos a atenção nas sensações que surgem quando pensamos no que está a acontecer.

 

Por vezes parece que a Vida nos bate à porta a perguntar “tens a certeza que é isto que desejas?”

E isto pode ser aquele acontecimento que eu passo o tempo a dizer que nunca mais quero voltar a viver.

Parece que quanto mais digo que não é isto que desejo, mais a Vida bate à porta a perguntar se tenho a certeza disso, através de repetições de situações com a mesma dinâmica, e que causam os mesmo pensamentos e emoções.

Ou, ao contrário, quando parece que quero muito algo, mas parecem existir muitos obstáculos para lá chegar.

“Tens a certeza?” pergunta a Vida, através dos seus ciclos.

E focamos muitas vezes a atenção para o que acontece lá fora, para o que é dito e sugerido pelos outros, sem olhar para o que acontece cá dentro e para as sensações que surgem com estes pensamentos.

Será que paro para ouvir a vozinha que me faz sentir confortável ou desconfortável com o caminho que estou a seguir, independentemente dos obstáculos e do que é dito pelos outros?

Aquela mensagem que vem do interior, através do desconforto perante aquela situação ou aquela pessoa.

Ou, por outro lado, a sensação boa que vem de dentro e que nos faz sentir confortáveis e inspirados, mesmo quando caminho parece longo e cheio de obstáculos.

Parece que necessitamos frequentemente de pedir aos outros a ajuda para dar a resposta à questão que nos é feita, quando na realidade, a resposta vem da pausa e do silêncio.

A resposta é dada a seu tempo, no silêncio, quando focamos a atenção nas sensações que surgem quando pensamos no que está a acontecer.

E, quando as situações se repetem em ciclos e nos provocam as mesmas sensações, podemos parar para olhar de outra forma e ver a lição que parece estar presente.

“O que desejas: continuar em ciclos aparentemente intermináveis, ou parar para perceber o que podes aprender com isto?”

Não existem respostas corretas, mas apenas a entrada em mais um ciclo de pensamentos e emoções ou a paragem para observar.

E está tudo bem. Independentemente do que possas desejar.