Por vezes, sinto-me a correr

São as histórias que vão sendo contadas, e que vão perdendo peso, à medida que vão sendo questionadas.

 

Por vezes, dou por mim com a sensação que tenho de correr, com a respiração a acelerar e a tornar-se superficial.

O corpo fica tenso e, sem me dar conta, instala-se um estado de alerta e de ansiedade.

Parece que existe algo que tem de ser rapidamente resolvido, que existe uma resposta que tem de ser dada, pois se tal não acontecer, algo de mau vai acontecer.

É um estado muito familiar e que vem lá de trás.

Antigamente, costumava instalar-se e ficar presente durante muito tempo.

Hoje em dia, chega mais ou menos devagarinho, mas é notado mais facilmente.

Os pensamentos que dão origem a esta necessidade de correr para responder a algo continuam a aparecer com frequência, a diferença reside nas questões que são colocadas a seguir, e que permitem retirar a aparência de factos a acontecer e transformá-los em histórias da mente.

“De onde vem esta sensação?”

“Será verdade que a história que estou a contar na minha mente está a acontecer?”

E, muitas vezes, estas questões ajudam a regressar ao presente, à minha respiração, ao corpo e ao que está a acontecer no aqui e agora.

Existem momentos em que as questões demoram tempo a chegar e esqueço que a sensação de urgência deriva de algo que se passa apenas na mente.

Que são apenas reflexos de medos do passado, que vieram até mim neste momento, mas que não existem.

Por vezes, este medo é subtil na forma como se insinua e começa a contar histórias.

Depois, surge a sensação de preocupação.

“Sobre o quê é que eu estava a pensar neste momento, e que deu origem a esta sensação?”

“E o que isto significa para mim?”

E a tranquilidade volta, à medida que regresso ao aqui e agora.

São as idas e vindas dos ciclos de pensamentos.

São as histórias que vão sendo contadas, e que vão perdendo peso, à medida que vão sendo questionadas.

E não controlamos esses relatos que vão acontecendo.

Mas podemos retirar-lhe o peso, ao parar e questionar a sua autenticidade.

“Isto está a acontecer agora?”

“Será verdade?”

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