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Ao Encontro do Momento Presente

Quando colocamos a resolução de uma determinada questão na mudança do outro, o que é que estamos a mostrar? Eu mudo se tu mudares.

 

Falava no outro dia com uma amiga sobre a necessidade que temos muitas vezes de nos validarem as nossas estórias e que os que estão à nossa volta nos digam que temos razão.

Irritamo-nos muitas vezes com as pessoas que não nos dizem que temos razão, que o caminho não é por ali, e achamos que os que estão do nosso lado são aqueles que dizem que o que acreditamos é verdade e que nos ajudam a alimentar as nossas estórias.

Lembrei de uma pessoa que fez uma sessão há uns tempos. Estava a passar por uma questão de saúde e não sabia lidar com as pessoas à sua volta. Achava que aquelas pessoas tinham muito boa vontade, mas que não a estavam a ajudar quando queriam que ela fizesse terapias com as quais ela não se identificava.

O problema, de acordo com o que contava, era quando dizia que não queria mais e as pessoas continuavam a insistir.

Coloquei uma questão sobre qual seria a melhor forma de lidar com a situação: ficar em paz com as atitudes das pessoas ou afastar-se para se sentir menos pressionada.

De acordo com esta pessoa, havia uma terceira hipótese: as pessoas poderiam mudar de comportamento. E depois de analisarmos esta questão, continuava a insistir: as pessoas deveriam mudar o seu comportamento.

Sim, é verdade, as pessoas poderiam mudar os comportamentos, mas será que mudam?

Quando colocamos a resolução de uma determinada questão na mudança do outro, o que é que estamos a mostrar? Eu mudo se tu mudares.

E se o outro não muda, e passamos o tempo a tentar que haja essa alteração, não estaremos a viver algo que não existe no momento?

Não será mais simples olhar para o que tenho à minha frente no momento presente e tentar perceber o que posso fazer, colocando a tónica em mim, em tudo o que sinto sobre o que se passa, sentindo o que existe para sentir em mim?

E não é fácil muitas vezes fazer esse processo, ficar presente para mim e para o momento presente, mas se quiser desligar o piloto automático, é tudo o que posso fazer para tentar perceber melhor o que se passa no meu interior.

E, eventualmente, o outro pode identificar a mudança em mim, e fazer também o seu processo.

Porque o momento presente, é tudo o que existe.