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As crenças extraordinárias

Contudo, todas as crenças residem em nós, até as descobrirmos, até ficarmos conscientes do quanto movimentam a nossa vida e até percebermos que são pensamentos e que não temos necessariamente de acreditar naquilo que surge na nossa mente.

 

Aprendemos o funcionamento do que nos rodeia nos primeiros anos de vida. Isto inclui a aprendizagem emocional.

Acreditamos saber o funcionamento das coisas de uma forma muito mais subtil do que possamos pensar e as crenças emocionais movimentam a vida sem darmos conta disso.

Uma dessas crenças que considerei ser muito importante para mim foi “eu não sou suficientemente boa”. À medida que trabalhei comigo, fui percebendo que o facto de ter esta crença enraizada no inconsciente condicionava o que se encontrava à minha volta, os comportamentos dos outros, os desfechos das situações e, em última análise, as minhas reações que originavam tudo o resto.

Quando comecei a ficar mais em paz com este acreditar inconsciente, desligando-me destes pensamentos, iniciou-se uma mudança que deu origem a uma maior serenidade.

Contudo, todas as crenças residem em nós, até as descobrirmos, até ficarmos conscientes do quanto movimentam a nossa vida e até percebermos que são pensamentos e que não temos necessariamente de acreditar naquilo que surge na nossa mente.

E há uns tempos veio à superfície uma crença muito mais subtil para mim, que movimentou muitas situações e comportamentos, sem que eu desse conta, até essa altura. Foi extraordinário ter a perceção como essa crença me tocava: ter o pensamento “eu não sou importante” e acreditar que era verdade, foi a origem de muita mágoa e muita tristeza ao longo de tanto tempo.

Perceber que era uma crença subtilmente enraizada e dar conta desse facto foi surpreendente, tal como foi surpreendente perceber que não acreditava na realidade quando alguém me dizia que iria sentir a minha falta ou que aquilo que eu estava a fazer era realmente necessário.

E também prestar atenção às atitudes que tinha como reação, onde mostrava ao outro que estava à minha frente que não era importante para mim, já que eu traduzia o que estava a acontecer através desta crença e mostrava ao outro que não era importante para mim já que eu não era importante para ele, foi doloroso mas também muito libertador.

Existem muitas outras crenças que nos movem ao longo na vida, não pela sua existência, mas porque acreditamos que são verdade, desde “eu não sou merecedor” até “a vida é difícil”, a lista é grande e algumas são mais fáceis de identificar do que outras. Depende da experiência de cada um.

Foi um sonho angustiante, que me deixou desconfortável e que me fez parar para tentar perceber porque me sentia tão mal. E no momento em que surgiu a consciência desta crença, acordei um bocadinho mais para a serenidade, ao constatar que o outro mostra-me o que penso de mim, lá bem no fundo e que, no momento em que deixo de acreditar nestes pensamentos, a vida flui numa leveza muito mais presente.