Arquivo de etiquetas: educação emocional

São histórias senhores! São histórias!

E, muitas vezes, entramos diretamente nestas histórias e achamos que são verdadeiras, sem pararmos para pensar se existem neste momento.

 

E aquelas maluqueiras que nos atacam logo pela manhã, quando estamos ainda muito ensonados, e nos deixam logo num verdadeiro estado de tristeza ou ansiedade?

Algumas surgem diretamente do passado, quando ficamos a matutar sobre o que aconteceu e não deveria ter acontecido.

Outras vêm de um futuro que não existe (o futuro é assim mesmo), e atormentam-nos de forma compulsiva, quando alimentamos estas histórias sobre o que deveria ou não ocorrer.

E, muitas vezes, entramos diretamente nestas histórias e achamos que são verdadeiras, sem pararmos para pensar se existem neste momento.

Não paramos para respirar fundo e para olhar em volta. Não paramos para perceber que, afinal de contas, existe o aqui e agora e existem as histórias que estão a desenrolar-se na minha cabeça.

E o que faz a diferença é a forma como acreditamos ou não nessas histórias.

Tal como no outro dia, quando me atrasei mais de uma hora para ir buscar o filho. Aparentemente ele estava acompanhado e nada indicava que algo estava mal, mas a ansiedade começou a crescer fortemente.

Curiosamente, antes de entrar nesta história de estou atrasada e tenho de me despachar, questionei porque é que sentia tanta ansiedade e o que era o pior que poderia estar a acontecer naquele momento.

Fez-se luz no momento em percebi que efetivamente o que estava a acontecer naquele momento era uma viagem de automóvel e que o resto não era real.

Respirei fundo, aproveitei aquela viagem e, quando cheguei ao pé do filho, ele estava tranquilo, bem-disposto e estava tudo bem.

Sem histórias e sem dramas sobre o que acontece, a vida parece fluir de maneira diferente.

Na realidade, a vida continua como sempre esteve. Eu é que a observo com outra perceção.

E este processo é gradual e vai sendo experienciado ao longo do tempo, se assim o entender.

Mas quando o faço, o que acontece ganha outro aroma. Ganha o aroma da tranquilidade e da disponibilidade para o que realmente está ali naquele momento.

 

Comparativa mente

Não importa se gostamos ou não ou se nos faz sentido. Parece que apenas é importante termos igual ou melhor do que o outro.

 

Comparamos.

Uma parte dos nossos pensamentos do dia a dia é muitas vezes aplicado em comparações.

Comparações sobre o que o outro tem ou achamos que é, sobre o que eu já tive ou poderia ter.

Mas tendo em conta o facto de aprendermos como funcionar emocionalmente durante a infância, de onde vem este comportamento?

Quantas vezes ouvimos dizer em criança que o/a filho/a da vizinha/prima/irmão tem ótimas notas e que poderíamos aplicar-nos para fazer o mesmo?

Não importa se gostamos ou não ou se nos faz sentido. Parece que apenas é importante termos igual ou melhor do que o outro.

E crescemos assim, a aprender a fazer comparações. A sentir que não somos suficientes. Que o outro é melhor do que nós.

Em adultos, quantas vezes nos perguntam quando é que arranjamos emprego/casa/ companheiro/a ou temos filhos?

E quantas vezes perguntamos isso aos outros ou a nós próprios?

Mas será que estas comparações são úteis? Será que fazem falta?

Quais os pensamentos que se seguem a uma comparação? Não aquela comparação que até faz surgir pensamentos do tipo “eu sinto que estou na média ou que sou melhor do que o outro”, mas aquela comparação que me faz sentir deslocado, diferente, inferior?

Será construtivo sentir que sou melhor ou pior do que quem me rodeia? Serve para alguma coisa?

Para quê passar parte do meu tempo a viver a vida do outro e a tentar ser igual ou melhor, quando posso canalizar todo esse tempo a viver a minha vida, que é aquela que realmente pode fazer a diferença para mim?

Podemos deixar de dar tanta atenção ao que acontece no exterior e na vida do outro.

E quando surgir um pensamento comparativo, posso sempre questionar se é útil continuar a alimentar esta história ou se, por outro lado, será mais útil olhar para dentro, para as minhas características únicas.

Inspiro…expiro…questiono… e eventualmente as comparações deixam de estar tão presentes na minha vida, para dar lugar a uma maior curiosidade sobre o que acontece no aqui e agora.

Tiro ao alvo

Fazemos tiro ao alvo e esquecemos que é apenas uma probabilidade. Posso acertar ao lado, como posso acertar onde gostaria.

 

Muitas vezes sentimos necessidade de viver de acordo com objetivos estabelecidos.

Supostamente, temos de saber o que fazer e onde estar daqui a 6 meses, 2 anos, o resto da vida.

E quando não atingimos esse objetivo, sentimos a frustração de definir algo e que não podemos ter nesse momento.

Outras vezes, sentimos que parece que todas as pessoas à nossa volta têm objetivos e sabem o que fazer exceto nós.

Eu deveria ter objetivos, eu deveria saber para onde ir, como se fosse eu a decidir a vida e tudo o que acontece.

Durante este processo, não prestamos muitas vezes atenção ao que está a acontecer, neste momento, no aqui e agora. Estamos tão focados no hipotético alvo, que nos esquecemos que estamos aqui, a respirar, e que está tudo bem.

Não porque nos sentimos felizes, mas porque temos muito mais do que percecionamos, muito mais do que damos conta.

Fazemos tiro ao alvo e esquecemos que é apenas uma probabilidade. Posso acertar ao lado, como posso acertar onde gostaria.

E o importante não é receber exatamente o prémio por ter acertado. O importante é, na realidade, toda a experiência vivida, a qual se intensifica à medida que presto mais atenção ao que está a acontecer, em vez de prestar atenção ao que pode acontecer lá à frente.

E quando presto atenção ao aqui e agora, deixa de ser importante se os outros têm objetivos e se sei o que fazer daqui a 2 anos.

Em boa verdade, posso deixar a Vida fazer acontecer e posso respirar fundo e, tranquilamente, observar a paisagem.

A especialização

E mostramos aos outros que é importante seguir por este caminho, mesmo que doa, mesmo que não nos faça sentir que é por aqui.

 

De início, as emoções e as experiências que dispomos são imensas.

Reagimos com curiosidade ao que está ao nosso redor e ao que vai acontecendo, sem etiquetas e sem catálogo. Acontece apenas.

Vamos entretanto criando o nosso catálogo, de acordo com o que nos vão dizendo que é bom ou mau e o que devemos ou não fazer.

De acordo com o que quem nos acompanha aprendeu anteriormente.

E transmitimos crenças e valores que acreditamos serem absolutos, muitos deles sem que tenhamos alguma vez pensado se correspondem à realidade.

“É assim porque aprendi desta forma, e porque a vida me mostrou que esta é a verdade absoluta.”

E de um universo de experiências e emoções à disposição, vamo-nos especializando.

“Não quero vivenciar mais esta experiência porque me faz sentir algo que acredito que não gosto.”

Ao longo do tempo, vou afunilando as vivências, muitas vezes num sentido que não desejo, mas que me governa por ser aquilo em que acredito de forma inconsciente.

As vivências que me comandam, não são muitas vezes as coisas boas que acredito que posso conseguir se me esforçar muito, mas sim as que aprendi lá muito atrás e não questionei ainda.

São as vivências onde me especializei: não sou capaz, não sou importante, não sou merecedor.

Especializamo-nos sem saber como nem porquê.

E mostramos aos outros que é importante seguir por este caminho, mesmo que doa, mesmo que não nos faça sentir que é por aqui.

E porquê?

Também não perdemos tempo a questionar muitas vezes.

Questionamos sim o porque é que nos sentimos mal sem ir à raiz.

Percebi há uns tempos que me especializei demasiado. Mas neste momento, aprendo todos os dias a ganhar a diversificação. E sinto por vezes que existe um longo caminho a percorrer de volta ao momento em que tudo está ao dispor.

Ou não, e já está tudo aqui, neste preciso momento.

Às vezes

Generalizamos e fazemos por vezes grandes dramas sobre os assuntos quando aplicamos o “sempre” ou o “constantemente”.

 

Temos tendência a achar que estamos sempre deprimidos, sempre zangados, sempre com dores ou sempre com falta de dinheiro.

Generalizamos e fazemos por vezes grandes dramas sobre os assuntos quando aplicamos o “sempre” ou o “constantemente”.

Mas será verdadeiro o estar sempre desta forma?

Os será que damos conta de que estamos a repetir esta sensação quando não estamos distraídos?

Na verdade, será que estou sempre a sentir o mesmo de forma intermitente?

Não será mais verdadeiro o sentir “às vezes”?

Falava com uma amiga sobre estas sensações que acredita estar com uma depressão. Depois de algum tempo, a expressão “eu estou sempre deprimida”, passou para “por vezes estou deprimida”.

E não estou deprimida quando estou a dormir, quando estou distraída a conversar com alguém ou quando sorrio por estar entretida com alguma coisa.

E isto não significa que deva ignorar o que sinto ou que deva “deixar andar que isso passa”.

Mas se tiver consciência de que é impossível sentir da mesma maneira de forma permanente, pode ajudar a relativizar uma situação dolorosa e percecionar que sinto tristeza ou dor ou frustração e que também sinto outras sensações.

E quando reconheço que também tenho estas outras sensações, relativizo a situação e eventualmente isto pode ajudar a viver de forma mais completa e a experienciar também as restantes sensações de riso, alegria e serenidade com uma maior consciência da sua existência.

Às vezes, é mesmo muito útil.

A aceitação

E o que pode ser feito poderá ser “fazer nada” naquele momento.

 

Durante muito tempo lutei contra a ideia de aceitar as situações que surgiam.

Acreditava que, ao aceitar essas situações, estaria a perder oportunidades ou a “comer e calar” sobre algo.

Em boa verdade, confundia aceitação com resignação.

Descobri que aceitar algo significa estar presente para o momento e para o que está a acontecer.  Significa também observar o que se passa no interior e no exterior, para melhor identificar de que forma posso atuar.

Afinal, aceitar não significa dizer sim ao que está a acontecer, mas significa dizer sim, isto está a acontecer e agora o que é que pode ser feito?

E o que pode ser feito poderá ser “fazer nada” naquele momento.

E nem todas as situações são fáceis ou agradáveis. Mas quando aceito que está algo a acontecer, não consumo energia na tentativa de repelir a realidade. É o que está a acontecer, mais ou menos drama e já é suficiente para ter toda a minha atenção, sem estar em modo “isto não está a acontecer”.

Porque quando rejeito a realidade, esta tem tendência a intensificar-se, como para mostrar que está ali e que é isto que é o momento presente.

Curiosamente, quando aceito que isto está a acontecer no momento, os dramas diminuem de intensidade, e permito que as respostas necessárias aconteçam, sem a necessidade acrescida de dispêndio de energia.

Aceitar o que está a acontecer, torna-me mais prática e mais centrada no que vale realmente a pena, sem histórias e dramas além do que é necessário.

Gratidão parte II

Talvez porque o outro confia na Vida de uma forma que eu não faço.

Falava com alguém no outro dia que acreditava que a Vida era injusta porque parecia facilitar o dia-a-dia de pessoas que aparentemente nada faziam pelo que ganhavam e, por outro lado, parecia dificultar tanto o tempo presente de quem se esforçava.

Compreendi esta sensação, porque acreditei também nesta injustiça durante muito tempo.

Surgia a impressão de insatisfação, de não ser suficientemente boa e de mal-estar pela sensação.

Mas a Vida vai dar-nos o que necessitamos, apesar de não ser por vezes o que queremos.

E reclamamos e tentamos rebater esta situação, com comentários do tipo “e a doença que me calhou agora” ou “e as pessoas que estão a viver a guerra” e etc.

E sim, é um facto de que as situações não são as que gostaríamos de passar, mas tentar lutar contra elas, não vai ajudar na resolução da questão.

Onde é que eu posso ser mais útil para mim e para o outro: quando estou a reclamar do que acontece e do que tenho, ou quando paro para tentar perceber o que existe à minha disposição e o que posso fazer com isso?

“Mas o outro continua a receber da Vida muito mais do que necessita ou muito mais do que eu.”

Porque será?

Talvez porque o outro confia na Vida de uma forma que eu não faço.

Talvez porque eu tenho necessidade de controlar tudo o que se passa, não dando espaço à Vida para me dar o que tem de melhor.

Na minha fúria de controlo, senti durante muito tempo que a Vida era injusta.

Algo de curioso começou a surgir, quando comecei a deixar a necessidade de controlo.

A Vida começou a dar-me situações que eram gratificantes e que continham muito mais do que eu pedia.

Percebi que eu era injusta com a Vida, porque nem agradecia o que me era dado diariamente. E estou viva neste momento e tenho tudo o que necessito para fazer o que é para fazer.

A seguir, logo se vê.

Porque preciso que gostes de mim

O que é que acontece quando eu mudo tanto que já não sei bem qual é a minha essência, mas o outro continua a não reagir como desejo?

 

Se parar o suficiente para prestar atenção aos meus movimentos ao longo do dia, talvez consiga tornar-me observador das pequenas atitudes que faço quando estou com o outro.

Talvez consiga prestar atenção à mudança no meu tom de voz quando quero que o outro mude o seu comportamento, ou quando deixo de ser espontâneo quando estou num ambiente onde me sinto desconfortável.

Mudo a forma de falar, de vestir, mudo a forma como me apresento, para que o outro possa ter uma boa opinião e possa gostar de mim.

Mas será que tenho a consciência de onde vem esta necessidade?

E até onde estou disposto a mudar de apresentação e comportamento, para que o outro pense bem de mim?

E quais as consequências destas mudanças, para mim e para o outro? Que é como quem diz, o que é que eu vou exigir do outro, por me sentir obrigado a mudar para que pense bem de mim?

O que é que acontece quando eu mudo tanto que já não sei bem qual é a minha essência, mas o outro continua a não reagir como desejo?

 Algures, ao longo deste processo, costumam surgir rupturas, enganos e muito desconforto. E não tenho a garantia de que o outro vai gostar da personagem que criei para esse efeito.

Mas posso tentar perceber porque é que sinto essa necessidade de que o outro goste de mim, ao ponto de me transformar artificialmente em algo que se torna doloroso, tal como caminharmos com uns sapatos demasiado largos ou demasiado apertados e com os quais não nos identificamos.

E isto não significa mudar de atitudes ao ponto de ser agressivo ou de magoar o outro.

Significa apenas que posso tentar perceber porque necessito do amor e da atenção do outro e olhar para dentro e encontrar a forma de me dar esse amor e atenção.

O agradecimento

Uma paragem para a gratidão poderá permitir-me observar as riquezas do dia-a-dia que fazem toda a diferença.

 

Passamos muito tempo com histórias de preocupações e de dramas que nunca irão acontecer.

Temos muitas vezes a tendência de ocupar o presente com situações dramáticas, sem questionar se são realmente um drama ou apenas um acontecimento no meio de tantos que acontecem durante o dia.

Hoje de manhã tive uma situação engraçada: descobri que o esquentador não tinha pilhas e não iria haver água quente naquela altura.

As pilhas foram compradas durante o dia e, ao chegar a casa, a situação ficou ultrapassada e a água quente já corria nas torneiras.

Não houve necessidade de drama ou de histórias de azar pelo início da manhã. Apenas uma situação que se resolveu.

Lembrei de todas as manhãs que acordei e lá estava a água quentinha a sair da torneira e fiquei grata por isso.

Entretanto, numa conversa com uma amiga, ela dizia que estava preocupada sobre o facto de estar a dar demasiada atenção à parte profissional e a deixar para trás outras áreas da vida dela.

Lembrei de uma fase em que se queixava da falta de clientes e agora queixava-se que tinha clientes e que estava com menos tempo disponível para o resto.

Queremos coisas e pedimos muito à Vida/Deus/Universo (o que quer que nos faça sentido) e depois, quando o pedido chega, reclamamos que não temos tempo/disponibilidade/o que for porque afinal o que queríamos tem vantagens e inconvenientes.

E esquecemo-nos muitas vezes de parar, olhar e agradecer pelo que nos foi dado. Ali está o pedido feito há algum tempo, e reclamamos em vez de agradecer.

Nem sequer olhamos para o momento em que estamos a inspirar ou expirar, a mexer o corpo, com uma casa, um carro, comida na mesa, pessoas à volta e que nos ajudam.

O que poderá acontecer se nunca agradecermos? Provavelmente nada.

Mas o que poderá acontecer se parar para agradecer?

De que maneira a minha vida poderá mudar pelo facto de sentir de vez em quando o sentimento de gratidão, daquela forma que nos faz ficar com os olhos de lágrimas, apenas pelo facto de estar a existir neste momento?

Será que consigo sentir dor, preocupação, ansiedade, raiva quando estou grato? Ou, pelo contrário, este sentimento permite sentir-me em paz?

Uma paragem para a gratidão poderá permitir-me observar as riquezas do dia-a-dia que fazem toda a diferença.

Um obrigada porque sim!

 

Eu sou, tu és, ele é…

E deixo de saber o que realmente desejo neste processo, apenas para prestar atenção ao que preciso de esconder de mim e dos outros.

 

Se estiver atenta ao que se passa no momento, o outro mostra-me aspetos meus, que surgem lá do passado mais ou menos distante e que me fazem sentir o conforto ou desconforto dessa situação.

E quando a sensação que surge quando estou com o outro é etiquetada de “boa”, fico confortável e desejo repetir.

Contudo, as histórias surgem habitualmente quando a etiqueta mental que coloco nesse momento é “má” ou “errada” ou “feia”.

O desconforto sentido nessa altura é muitas vezes catalogado e rejeitado lá para o fundo da mente, com uma de duas atitudes: ou me afasto dessa experiência, achando que o outro é mau e que necessita de mudar, ou então mudo eu a minha atitude, na tentativa de mudar a opinião que outro tem de mim, e que me mostre que, afinal, ele não acha o que no fundo eu acho de mim mesmo.

E é aqui que os jogos dos catálogos se iniciam: eu não acredito em mim, eu penso mal de mim, mas tu não podes pensar isso, porque é demasiado mau.

Aprendemos a catalogar-nos a nós, aos outros e ao que está a acontecer, e vamos colocando etiquetas ao longo da vida, sem parar para questionar o que é que essas etiquetas nos estão a dizer.

E porque não queremos que o outro nos coloque as etiquetas que não gostamos, acrescentamos máscaras que escondem na realidade o que está a ser sentido no momento.

E algo do género acontece: “sim eu acho que sou burro, mas como tenho vergonha, faço de tudo para que penses que sou muito inteligente. Tenho muita formação e sei falar sobre tudo e por isso, tens de gostar de mim porque me esforcei muito a esconder o que tenho vergonha de assumir”.

E as camadas de maquilhagem vão crescendo, para camuflar as sensações que me magoam. Contudo, este acumular vai-se muitas vezes tornando cada vez mais difícil de gerir.

E deixo de saber o que realmente desejo neste processo, apenas para prestar atenção ao que preciso de esconder de mim e dos outros.

 Provavelmente, o outro que está aqui ao lado está também a fazer o mesmo, porque também precisa de ocultar os seus medos e culpas e vergonhas.

E durante todo este processo, não lidamos verdadeiramente com o Ser que somos, mas sim com as máscaras e camuflagens que utilizamos no dia-a-dia.

Não porque isto se faça deliberadamente, mas sim porque não sabemos fazer de outra maneira e porque aprendemos no passado que existem etiquetas que são más e que devemos evitar a todo o custo.

Quem seria eu sem estas camadas? E não tenho necessidade de responder de imediato. Posso sim iniciar um processo de descobrir que camadas são estas, até chegar ao que lhes deu origem.

No fim, posso até chegar à conclusão de que não sou burro, mas sim alguém que tem de vez em quando atitudes burras. Como todos nós. E, se calhar, até posso dar umas gargalhadas sobre o assunto.