Apenas não sabíamos que somos todos completos, que todas as características são úteis em determinadas situações, e que sou igual ao Outro.
Na minha experiência, temos tendência a querer ser sempre luminosos, que é como quem diz, fazermos sempre o bem, o que é certo e bonito, desejando chegar a um dia em que vivemos felizes, em paz e em serenidade para todo o sempre.
Mas, durante este processo de busca da iluminação, colocamos de parte o que nos incomoda e o que é considerado de obscuro, deixando determinadas características de parte, escondendo dos outros e de nós próprios o que perturba, e acusando muitas vezes o Outro de ser o que queremos esconder.
Curiosamente, o nome dado pela mentora Debbie Ford a esta ferramenta de educação emocional com a qual trabalho, foi exatamente de Sombra Humana.
Consiste num processo gradual de olharmos para o que consideramos mais escuro em nós e, durante esse processo, resgatarmos o que consideramos mau, errado e feio.
É durante este resgate que nos tornamos completos, que tomamos conta da relatividade das histórias que contámos até então, e que afinal de contas são apenas histórias e que já não as estamos a viver neste momento. Elas apenas existiram na nossa mente.
E é a olhar para a escuridão que nos atormenta que ficamos mais iluminados. Não porque vamos viver felizes para todo o sempre, mas porque percebemos que não existe nada de errado, de feio ou de mau connosco.
Ou com o Outro.
Nem nunca houve.
Apenas não sabíamos que somos todos completos, que todas as características são úteis em determinadas situações, e que sou igual ao Outro.
E provavelmente, este processo de nos tornarmos completos acompanha-nos até passarmos para o outro lado. Vamos descobrindo de vez em quando mais uma característica ou situação com a qual vamos ficando mais em paz.
A Escuridão Ilumina e na minha experiência, ilumina muito.
