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A luz e a sombra do tempo

O tempo pode dar-nos a leveza da flexibilidade ou a dureza da amargura.

 

O tempo traz serenidade sobre as situações passadas, mas também pode trazer ressentimento e mágoa.

A forma como observamos os pensamentos que vão surgindo e como reagimos, ajuda o tempo a deixar-nos serenos ou magoados relativamente a essas situações.

À medida que o tempo passa, instala-se uma maior flexibilidade, quando compreendemos que tudo é relativo e que, quando a Vida quer fluir numa determinada direção, nada se pode fazer para deter esse fluxo e que apenas conseguimos adiar o seu movimento.

Ou não…

Porque por vezes, o tempo instala a mágoa e o ressentimento, a dureza e a amargura.

E estas sensações derivam do facto de não saber como fazer para fluir na corrente, por achar que tudo tem de ser feito à minha maneira e que o que me rodeia está errado.

Porque acredito que tudo o que está lá fora não está certo e que caminhamos para o abismo.

O tempo pode dar-nos a leveza da flexibilidade ou a dureza da amargura.

Mas será mesmo o tempo que nos provoca estas marcas?

Ou serei eu que me posso ajustar, ao parar para observar o que se passa, tornando-me uma pessoa mais serena, à medida que a Vida flui e vai acontecendo à sua maneira?

Escolher a luz do tempo, poderá significar apenas não reagir automaticamente e ficar enquanto observador do meu redor.

Por vezes, sinto-me a correr

São as histórias que vão sendo contadas, e que vão perdendo peso, à medida que vão sendo questionadas.

 

Por vezes, dou por mim com a sensação que tenho de correr, com a respiração a acelerar e a tornar-se superficial.

O corpo fica tenso e, sem me dar conta, instala-se um estado de alerta e de ansiedade.

Parece que existe algo que tem de ser rapidamente resolvido, que existe uma resposta que tem de ser dada, pois se tal não acontecer, algo de mau vai acontecer.

É um estado muito familiar e que vem lá de trás.

Antigamente, costumava instalar-se e ficar presente durante muito tempo.

Hoje em dia, chega mais ou menos devagarinho, mas é notado mais facilmente.

Os pensamentos que dão origem a esta necessidade de correr para responder a algo continuam a aparecer com frequência, a diferença reside nas questões que são colocadas a seguir, e que permitem retirar a aparência de factos a acontecer e transformá-los em histórias da mente.

“De onde vem esta sensação?”

“Será verdade que a história que estou a contar na minha mente está a acontecer?”

E, muitas vezes, estas questões ajudam a regressar ao presente, à minha respiração, ao corpo e ao que está a acontecer no aqui e agora.

Existem momentos em que as questões demoram tempo a chegar e esqueço que a sensação de urgência deriva de algo que se passa apenas na mente.

Que são apenas reflexos de medos do passado, que vieram até mim neste momento, mas que não existem.

Por vezes, este medo é subtil na forma como se insinua e começa a contar histórias.

Depois, surge a sensação de preocupação.

“Sobre o quê é que eu estava a pensar neste momento, e que deu origem a esta sensação?”

“E o que isto significa para mim?”

E a tranquilidade volta, à medida que regresso ao aqui e agora.

São as idas e vindas dos ciclos de pensamentos.

São as histórias que vão sendo contadas, e que vão perdendo peso, à medida que vão sendo questionadas.

E não controlamos esses relatos que vão acontecendo.

Mas podemos retirar-lhe o peso, ao parar e questionar a sua autenticidade.

“Isto está a acontecer agora?”

“Será verdade?”

Pensamentos Incomodantes

(…) “De uma maneira simples, fazer este trabalho leva-me a ter outra perspetiva das situações.

Aos poucos, e à medida que vou sentindo os benefícios do que antigamente achava serem vivências difíceis, fico mais liberta, mais serena e mais em paz.

E, por vezes, surgem os pensamentos de que isto é apenas o início do trabalho e que muito ainda existe para fazer.

É para todo o sempre, que é como quem diz: é durante os próximos segundos que Puf! já foram.

E frequentemente o único pensamento que existe é seme-lhante àquela imagem do Homer Simpson, em que existe apenas um donut no cérebro. E é uma delícia ter apenas o pensamento de um donut para pensar.

É esta a minha imagem de ilha de serenidade. Hummmm, donut…”

Excerto do livro “Pensamentos Incomodantes”

Perdemo-nos no medo de perder

O medo de perder o que não é nosso aumenta, à medida que o tempo passa e os anos acontecem.

 

Perdemo-nos no medo de perder pessoas e situações. De perder o/a companheiro/a, o emprego, o/a amigo/a, a imagem.

E, no meio deste medo, partes de nós vão sendo camufladas, para que “nada de mal aconteça” ou por “uma boa intenção”.

“Não devo fazer isto ou dizer aquilo” povoam a nossa mente, camuflando e ocultando de nós próprios e do outro o que faz parte da nossa essência.

E, aos poucos, não sou eu que estou na frente do outro, não sou eu estou com o outro, mas apenas uma parte de mim.

Um eu incompleto, cheio de vergonha e de medo.

Curiosamente, temos medo de perder, quando na realidade, já perdemos o mais importante, o contacto com a essência e com o genuíno que há em nós.

E nem nos damos conta do que perdemos cá dentro, para alimentar o que existe lá fora.

O medo de perder o que não é nosso aumenta, à medida que o tempo passa e os anos acontecem.

Eventualmente, ocultamos tanto da nossa essência, que nos tornamos totalmente sombra de nós próprios.

Já não somos nós que estamos presentes no momento, mas apenas o medo, a culpa e a vergonha.

E lidamos também com o medo, a culpa e a vergonha do outro, em vez da sua essência.

Por vezes, o melhor que pode acontecer, é chegar ao que achamos ser o limite de não aguentar mais, e que nos leva a querer fazer algo para descobrir a essência e o que existe de genuíno em nós.

Pode ser um processo doloroso, mas eventualmente é um processo libertador de todas as camadas que não me permitem ficar em paz.

Uma ferramenta que permite descobrir e integrar todas as partes em mim, até ficar completo.

Talvez descubra que não posso perder nada que não é meu, que a Vida me emprestou e que não sei quando vai pedir de volta.

Mas é o que está presente para mim no momento, e posso ficar grato por isso.

E os medos poderão continuar presentes também. E eu, em vez de os ocultar, estarei enquanto observador dessas histórias, permitindo que entrem e saiam da mente, apenas como filmes que são. Nada mais.

Permitir acontecer

A minha experiência, mostra-me que chego aqui e permito acontecer quando observo os pensamentos que estão no momento.

 

A vida acontece sem necessidade de qualquer permissão. Os acontecimentos sucedem-se sem que tenhamos de dar autorização ou validar seja o que for.

E quando funcionamos fora deste fluir, acreditando que temos de lutar pelas coisas e que somos responsáveis pelas eventualidades, criamos resistência, ansiedade e, por vezes, muita dor.

Permitir acontecer, é deixar fluir os acontecimentos sem julgamentos ou etiquetas. É sentir que nada do que possa fazer neste momento pode alterar o que a vida pretende, e perceber que posso parar para ouvir e respirar o que o momento me diz.

Permitir acontecer não é deixar de desejar algo no futuro, mas sim desejar e deixar acontecer o que tiver de acontecer. E, se não for esse o caminho, é porque a experiência a viver não passava por aí.

Permitir acontecer não é ficar impossibilitado de pensar no passado, mas sim deixar que esses pensamentos nos visitem e possam ir embora. E se vier uma tristeza ou uma alegria, sentir essa emoção.

Permito acontecer quando estou neste momento, sem forçar os acontecimentos, sem achar que a vida é injusta porque não me dá o que acho que preciso, sem julgar o outro apenas porque tem experiências diferentes da minha.

A minha experiência, mostra-me que chego aqui e permito acontecer quando observo os pensamentos que estão no momento.

Quando aprendo a desmontar as histórias da mente e deixo de lhes dar a importância passada.

E, no início, pode não ser um processo fácil, porque tenho primeiro de permitir-me ser vulnerável perante mim e os outros. Porque entendo que, se quero que os outros sejam gentis, não espero que isso aconteça e que a gentileza começa em mim, sem necessidade de retorno do outro.

Aos poucos, permito que aconteça a alegria em mim, independentemente de algumas pessoas à volta não estarem alegres. Apenas compreendo que somos pessoas com experiências diferentes e que posso ficar ou afastar-me.

Eventualmente, sinto a vida a viver-se através de mim. Não sou eu que tenho as ideias para escrever um texto, mas são as ideias que surgem, não se sabe de  onde e também não importa.

Sou sim o veículo através do qual se permitiu que o texto acontecesse.

E pode entretanto surgir mais outra ideia ou não.

Não como uma marioneta da qual são puxados os fios do seu movimento, mas sim como um ouvinte, que dá mais atenção aos pequenos detalhes e sussurros, que sugerem o caminho, pelo qual eu posso sempre deslocar-me ou não.

Permitir acontecer é simplesmente estar aqui.

A rapariga que queria que todos gostassem dela

De início, foi difícil olhar para dentro e para tantas sensações das quais desejava fugir.

 

Apesar do texto estar escrito no feminino, pode também ser lido no masculino. Independentemente do género, acreditamos muitas vezes que existe algo de errado em nós.

Neste caso, a rapariga recordava desde sempre acreditar que existia algo de errado consigo, e fazia os possíveis para que tudo o que fizesse não fosse menos que perfeito.

Não era um acreditar consciente, mas as suas ações para consigo e para com os outros revelavam muito das suas crenças.

As sensações que derivavam desse acreditar, levavam-na a ser alguém mais contido perante algumas pessoas ou situações e, por vezes, faziam com que se sentisse desenquadrada, que era alguém inferior e que estava sempre a fazer asneiras.

Mesmo com pessoas próximas, e apesar das atitudes serem mais naturais, ocasionalmente as circunstâncias faziam com que a rapariga que queria que todos gostassem dela se retraísse e alterasse alguns comportamentos.

Quando cresceu, a rapariga adotou uma maneira de estar mais reservada, atenta ao que o outro poderia estar a pensar dela e das suas atitudes, muito em especial nos relacionamentos.

Em certas situações, deixava de haver espontaneidade, para dar lugar ao silêncio ou às atitudes ponderadas, para que tudo fosse perfeito, nada falhasse e todos gostassem da rapariga, pois um dos seus maiores medos era o de ser inconveniente para com o outro.

Contudo, e por mais que tentasse, os outros mostravam-lhe muitas vezes que não gostavam do que ela fazia, que ela estava sempre a fazer asneiras e que não era merecedora de ser reconhecida.

A frustração e a ansiedade passaram a ser uma presença constante no seu dia-a-dia, e cada vez mais a rapariga que queria que todos gostassem dela sentia que nada do que pudesse fazer iria mudar a opinião que os outros tinham de si.

Até que algo de mágico aconteceu.

A frustração e a ansiedade cresceram de tal forma, que pareciam ocupar todo o momento presente. E, perante tanta dor, a rapariga sentiu necessidade de fazer algo para mudar todas estas sensações.

De início, foi difícil olhar para dentro e para tantas sensações das quais desejava fugir.

Mas, à medida que essas histórias eram olhadas de outra maneira, foram caindo por terra, dando lugar a outras histórias vindas de uma maneira de estar muito mais observadora.

A rapariga cresceu um pouco mais, não no seu exterior, mas no seu interior, ao olhar para cada história que ia surgindo e para as fábulas vindas do passado, onde ela acreditava que algo de errado existia consigo.

O julgamento a si e ao outro deram lugar a uma maior serenidade.

A rapariga concluiu que era ela que não gostava de algumas partes de si e, quando alguém lhe chamava a atenção para alguma coisa que fazia ou uma parte de si própria, essa chamada de atenção magoava, porque a rapariga acreditava que era verdade, por mais que tentasse esconder.

Afinal de contas, se o outro mostrava que algo estava errado e se ela achava que sim, o outro apenas validava a sua história.

À medida que foi crescendo no seu interior, ficaram as experiências para serem partilhadas com quem as quiser ouvir.

Ficou o agradecimento por todos aqueles que mostraram à rapariga que nada de errado existe consigo, e que os outros só nos magoam se acreditarmos no que eles estão a dizer.

Muitos passaram e foram embora. Outros ficaram e novos ainda surgiram. E está presente a gratidão por este grupo que partilha as histórias atuais. Eles mostram todos os dias que os julgamentos e as crenças do passado estão muito mais ténues.

E as atitudes do outro podem ou não fazer sentido. Mas mais que fazer um julgamento, a rapariga pode afastar-se, permitindo que se instale o respeito por si e pelo outro.

E a rapariga aprendeu que não precisa que todos gostem dela. Basta que ela própria goste de si, tal como é.

 

Comunicar no silêncio

É quando comunicamos connosco no silêncio exterior, que conseguimos chegar à origem do ruído interior.

 

Sentimos muitas vezes necessidade de dar resposta ao outro, ao que o outro me questiona e pede de uma forma quase imediata.

Gostamos de ter a “resposta na ponta da língua”, e pedimos aos que nos rodeiam que nos respondam rapidamente, para respondermos de seguida.

Mas será que ouvimos o que o outro nos diz?

Será que nos ouvimos através destas respostas imediatas e “cheias de razão”?

Se me questionar sobre o que me faz ter necessidade de ter razão e de dar estas respostas, o que poderá estar na sua origem?

Quando sinto desconforto no silêncio e na falta da resposta imediata, quais as histórias que estão a ser contadas na minha mente?

Qual o discurso que surge: “eu/o outro deveria fazer…” “eu preciso de…”?

Que tipo de sensações estou a esconder na resposta imediata e na necessidade de ter razão?

É na quietude que encontro o caminho para as respostas possíveis que nos conduzem a um maior conhecimento dos nossos gatilhos e do que nos move de forma automática.

É quando comunicamos connosco no silêncio exterior, que conseguimos chegar à origem do ruído interior.

E o que é aparentemente simples de se fazer, parece na realidade ser muito complicado: estarmos em silêncio e ouvir as histórias que vão acontecendo na mente.

Até que se torna num mecanismo útil e nos faz desligar os gatilhos vindos das histórias da mente.

E provavelmente as histórias irão continuar a surgir. Mas muda a forma como olhamos para elas e as deixamos ir.

Não preciso de deixar o outro a falar sozinho, mas posso sempre informar que vou pensar sobre o assunto.

Comunicar no silêncio poderá ser a ferramenta para desligar gatilhos que nos conduzem a reações automáticas e para encontrarmos uma maior serenidade interior.

Vestir emoções

Se não julgar as emoções e as suas expressões que surgem, elas ficam presentes para me chamar a atenção de algo que é meu no momento e depois vão embora.

 

Neste momento tenho um sorriso vestido.

Se começar a pensar porquê, surgiu quase do nada, vindo de uma alegria.

E aqui está ele, sem justificações coladas ou necessárias. Apenas está.

E pode ficar durante algum tempo, ou pode desaparecer para dar lugar a uma lágrima ou um grito.

São todas expressões válidas para vestir, como formas de representar emoções.

E não quer dizer que este sorriso represente sempre uma alegria ou que o grito represente raiva.

As expressões podem trocar de lugar entre si, com sorrisos tristes e gritos de alegria.

Sem qualquer necessidade de justificar seja o que for, surgem as emoções e as suas manifestações diversas, que dão lugar às emoções e manifestações que vêm a seguir, num ciclo onde não existe esforço, mas sim fluidez.

Se não julgar as emoções e as suas expressões que surgem, elas ficam presentes para me chamar a atenção de algo que é meu no momento e depois vão embora.

E são todas válidas e fazem parte de mim.

Experimente prestar apenas atenção à emoção e à sua expressão presente no momento.

Veja agora quais os pensamentos que surgem relativamente a essa emoção e à sua expressão.

É um julgamento do tipo “não deveria sentir isto” ou “preciso sentir de outra forma”?

Posso sempre questionar quando tenho pensamentos que julgam. Será que são verdade? E qual a origem desse julgamento?

E posso também verificar a utilidade da emoção e da sua expressão.

Eventualmente, posso aprender mais sobre mim, e compreender que, na verdade, cada emoção e cada expressão são válidas e podem trazer mais uma mensagem de mim e para mim.

Que emoção tem vestida neste momento?

O incómodo

E poderá ser que o outro deixe de incomodar, para passar a ser alguém que está presente e me ajuda a compreender melhor o que acontece dentro de mim.

 

Muitas vezes, quando a experiência que está a acontecer não é a que gostaríamos, temos tendência de tentar mudar os acontecimentos através do outro.

“O outro deveria mudar o comportamento” ou “se o outro mudasse eu responderia de maneira diferente” são exemplos de pensamentos recorrentes no dia-a-dia.

“O outro incomoda-me e deveria mudar para eu me sentir bem.”

E nem paro para pensar no porquê destes pensamentos, que são incontroláveis.

Não consigo parar de pensar (e se considero que controlo pensamentos, talvez seja melhor pensar outra vez) e também não consigo controlar o que o outro faz ou o que o outro pensa.

Durante este processo de facilitadora de trabalho de educação emocional, tenho tido experiências que me mostram que o outro, mais do que ser aquele que me incomoda, pode ser aquele catalisador para eu olhar melhor para o que acontece e para os pensamentos que surgem sobre isto.

Será que é o outro que me incomoda (coloco a atenção lá fora), ou sou eu que me incomodo com o outro (coloco a atenção cá dentro)?

E existe uma grande diferença entre querer que o outro mude porque me incomoda e sentir-me incomodado e tentar perceber porquê.

E isto não significa que os comportamentos dos outros sejam corretos e que tenha de os permitir.

Significa sim que existe algo que me deixa desconfortável e que posso questionar esse desconforto, sabendo que é meu.

Posso experimentar deixar surgir os pensamentos que incomodam sobre o outro e questionar “Quando foi a primeira vez que pensei isto sobre alguém?” ou “Quantas vezes senti este desconforto sobre outras pessoas?”

De que forma estas sensações e este desconforto me são familiares?

Como seria o meu dia-a-dia se fosse questionando os pensamentos que surgem, em vez de reagir automaticamente ao que me é colocado?

E poderá ser que o outro deixe de incomodar, para passar a ser alguém que está presente e me ajuda a compreender melhor o que acontece dentro de mim.

O desprendimento

Mas quando o desprendimento se torna maior, também perceciono que todos os momentos surgem e vão embora, tal como a fluidez dos ciclos e das marés.

 

E, aos poucos, a serenidade instala-se.

Vinda não se sabe muito bem de onde, é uma serenidade que permite um desprendimento maior da situação que está a ocorrer.

Não porque não se gosta, mas sim porque se vive o momento e o que se passa.

E o desprendimento vem da diminuição das expectativas, vem da sensação de que tudo o que está a acontecer traz algo de útil para mim, mesmo que não seja agradável no momento.

Este permitir que a Vida flua para onde tem de ir, verifica-se quando sei que não controlo nada e que, independentemente do que possa pensar, as situações vão continuar a acontecer. E posso resistir ou apenas observar o que se passa no exterior e no interior.

E, nestes momentos, existem sensações de serenidade, de gratidão e de sintonia. E estes momentos dão lugar a outros, que nos fazem sentir angustia e dor e tristeza.

Mas quando o desprendimento se torna maior, também perceciono que todos os momentos surgem e vão embora, tal como a fluidez dos ciclos e das marés.

O desprendimento vem de uma maior observação do momento, e inicia-se eventualmente com um pensar sobre o que surge e um questionar esses pensamentos.

Possivelmente, ganha-se um espaço muito maior para que os dramas sejam pequenos e se transformem apenas e histórias que mudam e dão lugar a outras.

Fácil?

Talvez não.

Possível?

Assim que fizer sentido.