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A aprendizagem do não

Quando eu tenho presente de que quando digo um sim contrariado ao outro, estou a dizer não a mim, será que os pensamentos que surgem vão mudando?

 

Temos muitas vezes dificuldade em dizer um não.

Naquele momento, podemos até nem perceber o porquê deste embaraço, mas ficamos a remoer a resposta positiva dada a uma situação quando, na realidade, o desejo era mesmo o de dizer que não.

E o que nos leva a dizer que sim ao outro, em vez de “não” ou “não sei”?

O que pretendemos que aconteça ou, por outro lado, o que é que temos medo que se concretize?

Será que me dou tempo para parar e avaliar todos os dramas que se desenrolam na minha mente antes de dar uma resposta?

Aquelas histórias que me dizem que tenho de dizer “sim”, caso contrário o outro não vai gostar de mim, ou vai acusar-me de ser má pessoa ou vai embora e fico sozinho?

Se parar para pensar em todos estes contos de fadas, com tantos enredos fantásticos que se desenrolam na minha mente, o que será que vou descobrir sobre mim?

Quantas histórias são contadas pelos pensamentos que surgem e que me mostram tantos medos, tanta culpa, tanta vergonha acumulados em camadas dentro de mim?

Pensamentos que podem funcionar como um instrumento, se eu assim entender, para descascar esses estratos que dificultam o saber dizer “não”, “não sei”, “logo se vê”.

Quando eu tenho presente de que quando digo um sim contrariado ao outro, estou a dizer não a mim, será que os pensamentos que surgem vão mudando?

E será que posso parar para perceber o que me conduz a dizer tantas vezes “não” a mim?

Porque quando eu digo tantas vezes não ao que eu realmente quero, porque é que acuso o outro de não estar disponível para mim, quando sou eu que mostro o comportamento que o outro deve ter?

Eu digo “não” a mim e o outro aprende também esse processo de negação para mim, o que me conduz à tristeza, frustração e a sentir que não sou suficientemente amado e que o outro não me respeita quando, em boa verdade, sou eu que mostro o comportamento que ele deve ter.

No início da aprendizagem do não, as sensações podem ser desagradáveis, devido aos pensamentos que surgem na nossa mente e nos dizem que o outro não vai gostar ou que nos vai acusar de sermos más pessoas.

Faz parte do processo.

Mas quando me permito parar para questionar o que realmente quero, em vez de dar um “sim” automático, eu mostro ao outro o que é dizer sim a mim.

E, eventualmente, o outro aprende também como é bom sabermos respeitar o que é sentido em cada situação.

Sim ou Não?

O que é que quero que o outro pense de mim quando lhe digo que sim, colocando de parte o que sinto e desejo?

 

Temos muitas vezes dificuldade em dizer não. Quando damos por nós, muitas vezes o sim já foi dito ao que nos é pedido, sem que corresponda ao que é sentido naquele momento, o que nos conduz normalmente a uma sensação de desconforto e de mal-estar.

Surgem pensamentos sobre o assunto e sobre a má vontade de fazermos o que é pedido. É frequente passarmos dias a “matutar” sobre o assunto e acabamos por despender mais energia a pensar sobre a resposta dada do que na realização do que foi pedido.

Um não é tão válido como um sim, e não existem respostas corretas para as situações. Mas o que nos conduz a esta necessidade de automaticamente de dizer sim ao outro, sem sentirmos primeiro se é isso que desejamos?

O que pretendo do outro, quando aceito fazer algo que não desejo?

O que é que quero que o outro pense de mim quando lhe digo que sim, colocando de parte o que sinto e desejo?

O que poderia acontecer se parasse para sentir o que está a acontecer, para prestar atenção às sensações que surgem à medida que os pensamentos aparecem?

Sentir a respiração, sentir as tensões ou sensações desagradáveis, “sentir os pensamentos” e as emoções que surgem?

O que poderia acontecer se parasse para prestar atenção às sensações desconfortáveis e questionasse de onde é que surgiram, quando foi a primeira vez que me senti assim e o que pode acontecer se der uma resposta contrária à que daria de forma automática?

Eventualmente poderei dar início a uma maior consciência do que está a acontecer em mim e ao que pretendo do outro, originando respostas mais sinceras e mais de acordo com a minha verdade interior.

Sim ou não?

Não sei…vou primeiro sentir a resposta…