Arquivo de etiquetas: ouvir; educação emocional

Eu ouço-te quando me ouço

Na minha experiência, eu começo a ouvir o outro quando paro para me ouvir a mim primeiro e quando deixo de ter necessidade de justificar e de julgar.

Eu preciso que o outro me oiça, as pessoas não me compreendem ou ninguém me dá atenção são expressões comuns em todos nós.

Sem contudo pensarmos na necessidade que temos do outro nos ouvir, de compreender ou de dar atenção.

Porque será que precisamos que o outro nos ouça, nos compreenda e nos dê atenção?

Será mesmo verdade que necessitamos de tudo isto?

Porque é que precisamos de fazer o outro chegar até à nossa experiência e de acordo com as nossas crenças?

Quando exigimos ao outro que nos ouça e nos dê atenção, será que prestámos atenção ao outro, ao que o outro quer, ao que o outro nos está a dizer?

Tu não me ouves!

Mas será que ouço o outro? Será que consigo olhar para o outro e ter a experiência de ouvir sem as barreiras do julgamento imediato e das exigências seguintes?

E melhor ainda: será que me ouço?

Será que sei o que estou a dizer e porquê?

Será que parei para ouvir os pensamentos e as emoções que estão na base da necessidade de atenção e na falta de atenção que dou ao outro?

Na minha experiência, eu começo a ouvir o outro quando paro para me ouvir a mim primeiro e quando deixo de ter necessidade de justificar e de julgar.

Ouço as conversas loucas e os pensamentos dramáticos que surgem e deixo-os ir. Fazem parte de mim, tal como uma banda sonora de um filme ou uma música ambiente.

Mas isso não significa que lhes tenha de dar muita atenção. Eles surgem, eu ouço-os e eles vão embora. E durante este processo, o que é importante para mim fica mais claro.

Será que é importante o que vou dizer ao outro? Será que o vou magoar? Será que vale a pena?

E o que é que o outro me está a tentar dizer?

Se não entendi, não será mais útil dizer isso mesmo e tentar ouvir o outro em silêncio, sem estar a construir uma resposta imediata em simultâneo?

Começar a ouvir os pensamentos que surgem na mente a cada instante, pode ser um processo difícil no início, mas poderá levar-me a um silêncio surpreendente, quando deixo de me apegar a pensamentos e apenas os deixo ir.

E talvez comece a ouvir o que o outro me está a dizer, em silêncio, ouvindo-me também a mim e, desta forma, comunico de forma muito mais simples e verdadeira, comigo e com o outro.