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Tenho saudades do que sou quando estou contigo

Na realidade, quando temos saudades de alguém, sentimos a falta do que essa pessoa nos traz de nós, do que sentimos na sua presença e das experiências que vivemos.

 

Somos feitos de experiências e analisamos o que acontece à nossa volta através das vivências passadas.

Os outros mostram-me partes de mim através de sensações e experiências, sem que eu tenha muitas vezes a consciência de que sou eu que estou a sentir e a vivenciar aquele momento, de que essa experiência se dá em mim e não lá fora.

Na realidade, quando temos saudades de alguém, sentimos a falta do que essa pessoa nos traz de nós, do que sentimos na sua presença e das experiências que vivemos.

E se gostamos da experiência que os sentidos e as emoções nos revelam, queremos vivenciar mais dessa experiência em nós, queremos repetir sensações prazerosas e achamos que vivemos essas sensações por causa do outro, esquecendo-nos que somos nós que as sentimos. Esta experiência é nossa, e o outro vive também a sua própria experiência de acordo com a sua vivência passada.

Mas o que acontece quando as sensações não nos agradam? Achamos muitas vezes que é o outro que está mal, que tem má onda, que nos rouba energia. Mas será que isto é verdade?

Nesta altura, estou a avaliar o outro com base no que sei de mim. Como é que posso aplicar essa mesma avaliação ao outro, que tem bases diferentes, formadas por experiências diferentes?

É como se fizesse equivalências entre medidas, é como dizer que um metro é igual a um litro, sem mais nada, sem qualquer conversão.

Mas o que aconteceria se passasse a viver tendo em conta que as minhas sensações têm por base a minha experiência, e que para o outro pode ser diferente?

Será que continuaria a estar em modo julgamento, quando o outro não reage de acordo com as minhas expectativas? Ou será que poderia parar para tentar perceber porque fico incomodado quando o outro não está presente conforme gostaria?

Será que poderia simplificar a forma como comunico com o outro, sem avaliar atitudes ou comportamentos, tendo em conta o facto de que sou eu que sinto daquela forma, sou eu que estou a vivenciar aquela experiência, e que o outro pode estar a sentir algo completamente diferente do que estou a julgar?

Eventualmente, o modo julgamento poderia dar lugar ao modo compaixão, por mim, pelo Outro e pelo Eu anterior a ter esta consciência.

Tenho saudades do que sou quando estou contigo, e sim, também tenho saudades da tua presença em mim!