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Ser melhor

Deixar de julgar pode ser aquele estado mental em que não luto contra o que está a acontecer, mas sim que paro para prestar atenção ao momento presente.

 

Parece que passamos muito tempo a ouvir/ler/pensar que podemos ser melhor do que somos. Podemos ser melhores pessoas, melhores progenitores, melhores profissionais, utilizando um conjunto de técnicas, fazendo um esforço maior do que já fazemos ou trabalhando para atingir um Eu mais perfeito.

Trabalhamos dessa forma para deixarmos de ser a lagarta e passar a ser a famosa borboleta, como se existisse algo de errado na fase de lagarta, como se fosse apenas um meio para atingir um fim.

E o que é isto de ser melhor pessoa?

Será que pretendo ser melhor com os outros, colocando-me em situações onde me forço a dizer sim a experiências, quando na realidade vou contra o que desejo?

Quando acredito que posso ser melhor do que sou neste momento, estou a acreditar que existe algo de errado e que tem de ser modificado, retificado, alterado, corrigido para algo que se considera ser melhor.

E como conseguirei ser melhor do que sou agora, se não gosto de algo em mim que existe neste momento, se rejeito uma parte de mim?

Como consigo melhorar algo que não aceito neste momento?

Na minha experiência, a Vida tem tendência a repetir situações até que aprenda as vantagens desse contexto e fique em paz com ele.

E se luto contra algo que faz parte de mim, esse pedaço vai fazer-se ouvir em situações repetidas, até que eu escute finalmente que não existe nada neste momento que não me possa trazer vantagens, mesmo que essas vantagens estejam em formato de aprendizagem.

A minha experiência diz-me que existe algo no meu atual Eu que me ajuda e me torna completa, mesmo que eu não compreenda o porquê neste momento.

Em boa verdade, mais do que compreender, se eu parar para ouvir o que me incomoda e que me causa desconforto, e se questionar o que na realidade está a ser dito, possivelmente poderei integrar essa situação que julguei durante tanto tempo como desconfortável e ficar em paz com ela.

Quando integro o que rejeitei em mim no passado, não me torno uma melhor pessoa. Torno-me uma pessoa completa.

E quando sou uma pessoa completa, deixo cair os julgamentos relativamente a mim e aos outros.

E ao deixar de julgar, será que existe algo para ser melhorado neste momento?

Deixar de julgar não significa ficar inerte e fazer nada.

Deixar de julgar pode ser aquele estado mental em que não luto contra o que está a acontecer, mas sim que paro para prestar atenção ao momento presente.