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Mestres ou Aprendizes?

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Efetivamente, fui mestre durante muito tempo a dar lições aos outros, com base naquilo que acreditava e que achava ser melhor para o outro ou para a situação.

 

Recebi há uns tempos um email onde me era feita uma chamada de atenção sobre o facto de parecer estar sempre do lado das pessoas com quem trabalhava, em vez de estar do lado da empresa.

Aparentemente, eu chamo sempre a atenção para o trabalho realizado pelas pessoas fora do escritório e não vejo que elas não estão no seu local de trabalho.

E o email acabava com a sugestão de “me libertar de preconceitos infelizes”.

Mais do que uma chamada de atenção, a sensação que tive durante a leitura foi de me estarem a “dar uma lição”. Eu deveria estar do lado das pessoas que me davam a lição, em vez de estar do lado das pessoas que faltavam (apesar do trabalho aparecer feito).

Percebi que, noutra altura qualquer, teria respondido de imediato, “dando uma lição” da minha parte, explicando o meu ponto de vista, e tentando mudar a opinião do outro nesta situação.

Efetivamente, fui mestre durante muito tempo a dar lições aos outros, com base naquilo que acreditava e que achava ser melhor para o outro ou para a situação.

A sugestão de me libertar de preconceitos infelizes, pareceu-me muito útil, nomeadamente o preconceito que eu tinha de ter de responder à letra e de dar lições aos outros.

Os preconceitos que tinha e que me levavam a julgar os outros, quando eu achava que deveriam agir de acordo com aquilo que eu acreditava ser correto, que não deveriam tentar dar lições aos outros…quando na realidade eu também sentia essa necessidade.

O que me foi transmitido, não me pareceu ter esta intenção. Mas, em boa verdade, fazemos do que nos é dito ou escrito o que acharmos melhor. Podemos lutar e reclamar, ou podemos ficar em silêncio e tentar perceber se algo nos incomoda.

Não senti necessidade de responder ao email. De certa forma, libertei-me de alguma necessidade que tinha de dar lições aos outros e da necessidade de ser Mestre nesta situação.

Por vezes, surge a vontade de dar umas lições aos outros, e torno-me Aprendiz do momento, quando fico em silêncio para prestar atenção às sensações e aos pensamentos que surgem.

E por vezes reajo e outras vezes fico em silêncio. A diferença que sinto entre o antes e o depois de utilizar esta ferramenta de Educação Emocional, é que a necessidade de reagir é muito menor e, quando reajo, não o faço em modo automático e não espero mudar a opinião do outro. Reajo porque sim.